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O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta sexta-feira (19) que os cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo encontrados pela Polícia Federal em um endereço ligado a ele têm origem na venda de um imóvel de sua propriedade. O parlamentar é alvo de uma operação da PF que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos por meio do uso de cotas parlamentares.
Em declarações à imprensa, Sóstenes disse ser vítima de perseguição judicial e afirmou não ter receio das investigações. “Quero dizer que essa investigação é mais uma investigação para perseguir quem é da oposição. Não tem nada de contrato ilícito, não tem nada de lavagem de dinheiro”, declarou.
Sobre o dinheiro apreendido, o deputado sustentou que os valores são lícitos. “Sobre o valor encontrado em minha residência, trata-se de recurso lícito da venda de um imóvel de minha propriedade. Dinheiro de corrupção não aparece lacrado, identificado e recolhido oficialmente na sua residência. Quem quer viver de corrupção bota em outro lugar”, afirmou.
A operação da Polícia Federal apura a suspeita de contratos irregulares de aluguel de veículos custeados com recursos da cota parlamentar. Sóstenes também comentou as suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a esse tipo de contrato e comparou seus gastos aos de outros parlamentares. Segundo ele, “tem deputados da esquerda que alugam carros da cota parlamentar, que pagam R$ 7 mil, alguns até R$ 8 mil reais”.
Ainda em sua defesa, o líder do PL fez críticas a outros agentes públicos. “Diferente de Lulinha que deve explicação, o vice-líder do Senado [Weverton] que também deve explicações, Lula que blinda a convocação na CPMI, nenhum deles bota a cara para a imprensa. Eu não tenho nada a temer e vou dar explicações necessárias para o esclarecimento do caso”, declarou.
Dados da investigação indicam que os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy gastaram, juntos, mais de R$ 742 mil em cotas parlamentares com aluguel de veículos entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. Contratos supostamente falsos com locadoras estão entre os principais alvos da operação deflagrada nesta sexta-feira.
Durante as diligências, a Polícia Federal encontrou R$ 430 mil em espécie em um flat onde Sóstenes se hospeda em Brasília. Questionado sobre o montante, o parlamentar reiterou a explicação de que o dinheiro é resultado da venda de um imóvel adquirido após 2022. “Trata-se de venda de imóvel de minha propriedade, dinheiro de corrupção não aparece lacrado em sua residência. Vendi um imóvel, o imóvel foi vendido com dinheiro lícito”, disse.
Sóstenes afirmou ainda que recebeu o valor recentemente e que não realizou o depósito bancário por causa da rotina intensa de trabalho. Segundo ele, houve um “lapso” diante da correria do dia a dia. O deputado voltou a dizer que não tem nada a temer no inquérito.
Em outra declaração, o parlamentar criticou a atuação da Polícia Federal e mencionou a esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. “Eu fico impressionado é como a Polícia Federal não quer investigar a esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal que tem um contrato com um banqueiro de R$ 129 milhões”, afirmou.