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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou neste sábado, durante a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), que há um forte interesse internacional em firmar acordos comerciais com o bloco sul-americano e cobrou “coragem” da União Europeia para concluir o acordo negociado há mais de duas décadas.
“Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta desde há 26 anos”, declarou Lula em seu discurso de abertura. Segundo o presidente, o atual contexto global representa uma oportunidade estratégica para o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Ao destacar o interesse internacional, Lula afirmou que “o mundo está ávido por acordos com o Mercosul”. O presidente comentou o adiamento da assinatura do acordo comercial com a União Europeia, que estava prevista para este sábado durante a cúpula, mas foi postergada devido à falta de consenso no Conselho Europeu. A expectativa é que o tema volte à pauta em janeiro, possivelmente no dia 12, durante reunião no Paraguai.
Participaram do encontro os chefes de Estado dos quatro países-membros: o anfitrião Lula, Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). Durante a cúpula, o Brasil realizou a transferência da presidência temporária do Mercosul para o Paraguai, que comandará o bloco no primeiro semestre de 2026.
O impasse nas negociações com a União Europeia marcou o tom da reunião. Na quinta-feira, o Conselho Europeu informou que não havia apoio suficiente para aprovar o acordo na data prevista, o que levou ao novo adiamento. Chanceleres do Mercosul manifestaram “decepção” com a decisão, mas afirmaram manter a expectativa de que a União Europeia resolva suas divergências internas para avançar na assinatura.
Apesar do revés, Lula reiterou seu otimismo e disse esperar que o Mercosul consiga fechar diversos acordos internacionais nos próximos meses, aproveitando o interesse global pelo bloco e fortalecendo sua projeção internacional.
Ainda durante a cúpula, o presidente brasileiro comentou o cenário político regional e alertou para os riscos de uma eventual ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo Lula, uma intervenção desse tipo provocaria uma “catástrofe humanitária”.
“O continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência estrangeira”, afirmou. A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer em entrevista à NBC News, na quinta-feira, que não descartava a possibilidade de um conflito com a Venezuela.
Situação na França tem alívio parcial
Em outro tema internacional, a situação nas rodovias da França apresentou melhora neste sábado, após dias de bloqueios promovidos por agricultores. A redução das interdições ocorreu depois de um chamado à trégua de Natal, embora os produtores rurais sigam insatisfeitos e alertem o governo sobre a falta de soluções concretas.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, buscou reabrir o diálogo com os sindicatos ao enviar uma mensagem propondo novas reuniões no início de janeiro. No comunicado, anunciou ainda a criação de um fundo de ajuda de 11 milhões de euros para “fazer frente ao impacto econômico imediato” causado pelas medidas de contenção da epidemia de dermatose nodular contagiosa, especialmente o abate de animais em propriedades afetadas.
Lecornu também pediu aos prefeitos que “suspendam, até novo aviso, qualquer fiscalização dos agentes do Estado” nas propriedades onde ocorre a campanha de vacinação, salvo em casos considerados urgentes.
A Federação Nacional de Sindicatos de Agricultores (FNSEA), principal entidade do setor na França, afirmou que defende a responsabilidade e o diálogo, mas criticou a ausência de compromissos mais concretos por parte do governo.
“As respostas esperadas, especialmente sobre indenizações pelos animais bloqueados, a segurança econômica das propriedades e o apoio aos produtores de cereais, não se concretizaram. As contas não fecham”, afirmou a FNSEA em nota divulgada nas redes sociais.