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O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega com remuneração de R$ 1 milhão por mês, após uma intervenção do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A informação foi divulgada neste sábado (24) pelo portal Metrópoles. Segundo a publicação, Mantega prestou consultoria ao banco até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição, em novembro do ano passado.
De acordo com o jornal, a contratação ocorreu depois de o governo Lula desistir de indicar Mantega para o Conselho de Administração da Vale. À época, a possível nomeação do ex-ministro para a mineradora enfrentou resistência do mercado, que avaliava a indicação como uma interferência política indevida, apesar de a Vale ser uma empresa privada. O governo, no entanto, mantém influência na companhia por meio de concessões públicas e de investimentos de fundos de pensão ligados a estatais.
Ainda conforme o Metrópoles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerava ter uma “dívida de lealdade” com Mantega, que permaneceu fiel ao petista durante a Operação Lava Jato, diferentemente de outros ex-auxiliares, como Antonio Palocci, que firmou delação premiada e acusou Lula de recebimento de propina.
No Banco Master, a principal missão de Mantega teria sido facilitar a venda da instituição, controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, para o Banco de Brasília (BRB). Os pagamentos ao ex-ministro podem ter alcançado ao menos R$ 11 milhões, segundo estimativas da publicação.
A relação política dentro do banco, entretanto, não se restringia a Vorcaro. Segundo o portal, Jaques Wagner mantinha proximidade com Augusto Lima, sócio de Vorcaro e ex-CEO do Master. Lima é amigo do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que estava no palanque em Maceió (AL) quando Lula criticou duramente o banco.
Em evento realizado na sexta-feira (23), o presidente atacou o Master sem citá-lo nominalmente e acusou seu controlador de ter aplicado um “golpe de mais de R$ 40 bilhões”. “Falta vergonha na cara” de quem defende o empresário, afirmou Lula, em tom que contrastou com a relação próxima que o banco mantinha, até recentemente, com integrantes do núcleo petista.
A reportagem também aponta que Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto em 2024, nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. As agendas oficiais registram apenas “encaminhamento de pauta”, sem detalhar os assuntos tratados, e identificam Mantega apenas como ex-ministro da Fazenda, sem menção ao Banco Master. Os dados foram compilados a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo.
O colunista Lauro Jardim informou, em agosto de 2025, que Mantega teria intermediado uma agenda entre Lula e Vorcaro em 2024, encontro que não consta nos registros públicos — omissões que, segundo especialistas, não são incomuns nas agendas oficiais.
