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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que não há indícios de responsabilidade do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no escândalo envolvendo o Banco Master.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto”, declarou Galípolo ao ser questionado sobre a atuação do antecessor no caso.
A fala ocorre em meio a críticas políticas sobre a origem do escândalo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atribuído a crise à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Campos Neto para comandar o Banco Central entre 2019 e 2024. Parte desse período coincidiu com o atual governo, iniciado em 2023.
Durante a audiência, Galípolo evitou fazer críticas diretas à gestão anterior e destacou que as decisões da autoridade monetária seguem critérios técnicos. Ele também respondeu a questionamentos sobre o momento da liquidação do Banco Master, determinada já sob sua gestão.
“Eu cheguei em janeiro de 2025. E, ainda assim, a gente teve que cumprir todos os ritos justamente para que a gente estivesse bem calçado. Ainda em meados de 2025 existia, na opinião pública e em debate, que a rejeição da compra do BRB não deveria ter ocorrido. E, ainda hoje, estou respondendo em órgãos de controle se a liquidação não foi feita de maneira precipitada”, afirmou.
O caso Banco Master é considerado o maior escândalo bancário recente, com impacto estimado em cerca de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O fundador da instituição, Daniel Vorcaro, está preso desde março e é investigado por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas.
As investigações apontam que o Banco Central identificou irregularidades durante a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), que acabou assumindo carteiras problemáticas e enfrenta dificuldades financeiras. A estatal apresentou um plano de capital para recompor o balanço, mas ainda há incertezas sobre sua situação.
Além disso, o escândalo levou ao afastamento de servidores da autoridade monetária suspeitos de facilitar interesses do banco, enquanto a Polícia Federal e o Ministério Público Federal seguem apurando o caso.
Galípolo participa da CPI na condição de testemunha, em um momento em que o Congresso investiga possíveis ramificações do escândalo nos Três Poderes e avalia a responsabilização dos envolvidos.