O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, acusou o presidente Jair Bolsonaro de ser responsável pelas 100 mil mortes do novo coronavíruis no Brasil. Ele disse que a postura do chefe do Executivo ‘levaram o país a tirar de foco o distanciamento social’.

“Houve uma série de fatores, mas o fator presidente foi preponderante. Ele deu argumento para as pessoas não ficarem em casa. Ele deu esse exemplo e serviu de passaporte para as pessoas aderirem politicamente a essa ideia”, disse Mandetta em entrevista para a Folha.

Para o ex-deputado do DEM, o alto número de pessoas na economia informal e a pressão causada pelas eleições municipais também pesaram para uma adesão menor ao isolamento: “[Prefeitos] veem a popularidade diminuir, e como tem um contraponto político feito pelo presidente, ficam pressionados”.

Mandetta ainda acusou o governo também “abriu mão da ciência” e das ações para controle e “ficou em um debate menor, que é a cloroquina”.

“Foi uma somatória de fatores, mas principalmente liderados pela posição do governo, que trocou dois ministros e botou um terceiro que fez uma ocupação militar, sem técnicos na Saúde”, disse o ex-ministro, que trabalha hoje na finalização de um livro narrando sua jornada no Ministério da Saúde, desde o dia em que a China reconheceu o novo coronavírus até sua saída do cargo.