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O câncer de pâncreas é conhecido como um “assassino silencioso”, já que costuma apresentar poucos sintomas até chegar às suas fases mais avançadas e letais.
Mas pesquisadores acreditam ter identificado um sinal de alerta que pode ajudar a detectar o câncer pancreático em um estágio mais precoce e tratável.
Segundo um estudo publicado na revista Gastro Hep Advances, o alargamento do ducto pancreático — que liga o órgão ao ducto biliar — está associado a um risco maior de câncer entre pessoas predispostas à doença.
“Essa descoberta pode levar a uma melhor taxa de sobrevivência caso os tumores sejam identificados ainda no início”, afirmou em comunicado a pesquisadora principal, Dra. Marcia Irene Canto, professora de medicina e oncologia da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.
O pâncreas fica localizado atrás do estômago e desempenha papel fundamental na digestão e no controle do açúcar no sangue, produzindo enzimas digestivas e hormônios como a insulina, explica a Sociedade Americana do Câncer (ACS).
Embora represente cerca de 3% de todos os casos de câncer nos Estados Unidos, o câncer de pâncreas é responsável por 8% das mortes causadas pela doença. Isso porque geralmente é diagnosticado tardiamente, quando já se espalhou para outros órgãos. As taxas de sobrevivência em cinco anos variam de apenas 3% a 16%, segundo a ACS.
Isso ocorre em parte porque o órgão está profundamente localizado no corpo, o que impede que tumores iniciais sejam detectados em exames físicos de rotina.
O estudo
No novo levantamento, os pesquisadores realizaram ressonâncias magnéticas e ultrassonografias em 641 pessoas com alto risco para câncer de pâncreas — seja por histórico familiar direto ou predisposição genética.
O alargamento do ducto pancreático foi identificado em 97 participantes. De acordo com o estudo, pessoas com essa alteração tinham:
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16% mais chance de desenvolver câncer de pâncreas após cinco anos;
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26% mais chance após dez anos.
No geral, indivíduos com o ducto aumentado tinham 2,6 vezes mais probabilidade de desenvolver a doença — especialmente quando também apresentavam três ou mais cistos pancreáticos.
“Identificando esse fator de risco mais cedo, conseguimos intervir rapidamente”, disse Canto. “A intervenção pode ser cirurgia ou exames de imagem mais frequentes. É impressionante como, mesmo com as melhores tecnologias, um tumor pancreático pode não ser visível no início, apesar de já causar alterações estruturais na glândula. Temos a oportunidade de melhorar isso.”
Esse sinal de alerta também pode ser identificado em exames solicitados por outros motivos, como cálculos renais ou dor abdominal, destacou a pesquisadora.
“Os profissionais de saúde precisam estar atentos, pois é algo que deve ser investigado imediatamente”, afirmou.
Próximos passos
A equipe agora planeja treinar inteligência artificial para analisar imagens do pâncreas e gerar previsões de risco mais precisas.