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Um estudo global liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que quatro em cada dez novos casos de câncer no mundo poderiam ser evitados com melhor controle de fatores de risco. A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine, analisou dados de 185 países e destacou o impacto de hábitos e exposições preveníveis na incidência da doença.
Segundo o levantamento, em 2022 foram diagnosticados 20 milhões de casos novos de câncer, sendo que 7,1 milhões tiveram relação direta com fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, infecções, poluição do ar, exposição à radiação ultravioleta e insuficiência de lactação materna.
“Este é o primeiro estudo global que mostra quanto risco de câncer provém de causas que podemos prevenir”, afirmou o dr. André Ilbawi, chefe da equipe da OMS para controle do câncer e coautor do estudo.
O tabagismo continua sendo o principal responsável pelos casos preveníveis, representando 15,1% do total, seguido das infecções (10%) e do consumo de álcool (3,2%). Entre os homens, o tabaco foi responsável por 23% dos novos casos, enquanto entre as mulheres as infecções lideraram com 11%, seguidas pelo tabagismo (6%) e obesidade (3%).
O estudo identificou que três tipos de câncer concentram quase metade dos casos preveníveis: pulmão, estômago e colo do útero. O câncer de pulmão está ligado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar; o de estômago, à infecção por Helicobacter pylori; e o de colo uterino, ao vírus HPV.
“Ao analisar padrões em diferentes países e populações, podemos fornecer informações mais específicas para ajudar governos e pessoas a prevenir muitos casos de câncer antes que apareçam”, destacou Ilbawi.
A OMS alerta que nenhum nível de consumo de álcool é isento de risco, podendo aumentar a probabilidade de desenvolver câncer de boca, laringe, esôfago, fígado, mama e colorretal.
Além dos fatores já conhecidos, o estudo considerou novas exposições, incluindo substâncias cancerígenas no trabalho, poluição ambiental e insuficiência de lactação materna, ampliando o mapa global de riscos. Na América Latina e Caribe, cerca de 28% dos casos em homens e 30% em mulheres estão ligados a fatores preveníveis.
Recomendações para prevenção
Os pesquisadores sugerem medidas que podem ser aplicadas tanto por políticas públicas quanto individualmente:
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Controle do tabagismo: restrições, impostos, campanhas e programas de cessação.
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Redução do consumo de álcool.
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Promoção de hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, combate à obesidade e incentivo à atividade física.
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Controle da poluição do ar e da exposição à radiação UV.
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Melhorias nas condições de trabalho e redução de carcinógenos ocupacionais.
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Vacinação contra HPV e hepatite B, além de tratamento de infecções como Helicobacter pylori e hepatite C.
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Incentivo à lactação materna e redução do uso de tabaco sem fumaça e noz de areca.
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Programas de detecção precoce e rastreamento adaptados às necessidades locais.
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Investimentos em vigilância epidemiológica e sistemas de informação para monitorar a prevenção.
“Abordar essas causas preveníveis representa uma das maiores oportunidades para reduzir a carga mundial de câncer”, afirmou a dra. Isabelle Soerjomataram, chefe adjunta da Unidade de Vigilância do Câncer do IARC e autora principal do estudo.