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A União Europeia elevou a pressão diplomática durante a COP30 após a divulgação dos novos rascunhos de acordos climáticos, que deixaram de mencionar combustíveis fósseis e não estabeleceram um roteiro claro para a transição energética global. Em reunião fechada nesta sexta-feira (21.nov), o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, afirmou que o bloco “não aceitará sob nenhuma circunstância” o texto como está.
Segundo Hoekstra, o rascunho apresentado pela presidência da COP30 é insuficiente e desrespeita compromissos assumidos em conferências anteriores.
“Sem ciência. Sem balanço global. Sem a transição para longe dos combustíveis fósseis. Mas, em vez disso, fraqueza. Fraqueza na mitigação e violação do acordo do ano passado sobre a NCQG”, declarou o comissário, em referência à Nova Meta Quantificada Coletiva para o Financiamento Climático.
Rascunho elimina menção a combustíveis fósseis e causa reação mundial
Os textos preliminares, divulgados na quinta-feira (20), deixaram de fora qualquer referência a petróleo, gás natural e carvão — tema considerado central para os debates na COP30, realizada em Belém. A ausência gerou forte reação de governos e organizações ambientais, que classificaram o documento como “fraco”, “uma traição à ciência” e repleto de “furos inaceitáveis”.
A expectativa era que a conferência avançasse na criação de um mapa do caminho global para o fim progressivo do uso de combustíveis fósseis, principais responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Críticas se intensificam após reunião fechada
Durante a reunião com negociadores, Hoekstra afirmou que o novo texto “não tem ciência, não tem transição e mostra fraqueza”, destacando que a União Europeia não aceitará nada “minimamente perto” dos rascunhos publicados.
O acordo em negociação prevê que países signatários destinem ao menos US$ 300 bilhões até 2025 para ações climáticas em nações em desenvolvimento, além de mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento internacional no mesmo período. Para a UE, entretanto, o texto carece de clareza sobre compromissos nacionais (NDCs) e ignora temas essenciais, como a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
As NDCs são compromissos individuais de redução de emissões assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris, firmado em 2015.
Brasil e mais de 30 países demonstram frustração
O Brasil e outros 30 países expressaram frustração com os rascunhos apresentados, afirmando que o texto não reflete a urgência climática nem o consenso construído entre vários blocos diplomáticos.
Uma coalizão de mais de 80 países, incluindo União Europeia e Estados Unidos, defende firmemente a inclusão de um plano de eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A proposta, porém, enfrenta resistência de países como Arábia Saudita e outros membros da Opep.
Na quinta-feira (20), mais de 30 delegações enviaram uma carta conjunta pedindo que o mapa do caminho para a transição energética seja mantido no documento final da conferência. Países como Colômbia, França, Reino Unido e Alemanha afirmam que não apoiarão um acordo que exclua a eliminação progressiva dessas fontes poluentes.
Organizações ambientais também criticam o “Pacote de Belém”
O chamado “Pacote de Belém” — conjunto de documentos produzidos para guiar a COP30 — também foi mal recebido por organizações ambientais. O Observatório do Clima classificou o material como “desequilibrado” e afirmou que ele “não pode ser aceito como resultado da conferência”.
A entidade criticou, especialmente, a ausência de um plano claro para a transição energética:
“Os rascunhos apresentados são fracos nos pontos em que avançam e omissos num tema crucial. Eles não atendem à determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio de 82 países, de fornecer um roteiro para implementar a transição para longe dos combustíveis fósseis.”