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RFI – O filme de Tiago Carvalho sobre as expedições do médico sanitarista Noel Nutels, que dedicou sua vida ao tratamento da saúde dos indígenas do Brasil, conquistou o prêmio de público de melhor documentário, a menção especial do júri da categoria e o prêmio dos estudantes do IHEAL, Instituto de Altos Estudos da América Latina, parceiro do festival.

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Carvalho, que não pode viajar a Biarritz para apresentar o filme, reuniu imagens fascinantes em 16mm feitas pelo próprio Nutels em suas viagens às aldeias indígenas entre as décadas de 40 e 70. Primeiro longa do documentarista, o filme vai muito além de um trabalho etnográfico e sensibilizou o público e o júri do festival para a situação das populações indígenas do Brasil, particularmente afetadas pela pandemia de Covid-19.

Noel Nutels foi um dos primeiros sanitaristas a denunciar o genocídio dos povos indígenas no Brasil. Um dos momentos mais comoventes do filme é o seu discurso na CPI do Índio na Câmara dos Deputados, em 1968, quando ele lança o grito de alarme: “A essa hora alguém está matando um índio. É a cobiça da terra, é a cobiça do subsolo, é a cobiça das riquezas naturais. É um vício de estrutura econômica. Enquanto a terra for mercadoria e objeto de especulação, vai se matar índio. A quem interessa o crime?”

O documentário reúne imagens de 21 filmes de Nutels, que dirigia as ações de combate à tuberculose realizadas pela equipe do SUSA (Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas). O médico sanitarista produziu imagens de extrema beleza, onde vemos muitas cenas de crianças indígenas brincando nos rios, as populações caçando, pescando ou fazendo trabalhos domésticos.

“O Índio Cor de Rosa” é o título do romance biográfico sobre Nutels do escritor Orígenes Lessa (1903-1986), mas é também o apelido carinhoso que os amigos davam ao sanitarista, de origem ucraniana, que aparece muitas vezes nos filmes de short e sem camisa, brincando e tratando dos índios.

O documentário, cujo título integral é “O Índio Cor de Rosa contra a Fera Invisível: a peleja de Noel Nutels”, deve estrear no Brasil em 10 de outubro. O filme, lançado pela Fiocruz Vídeo e pela Banda Filmes em dezembro de 2019, já foi exibido esse ano no Olhar de Cinema, o Festival Internacional de Curitiba, e no Festival Internacional de Cine Documental de Buenos Aires (FDBA).

Premiação

O Abrazo de melhor filme do Festival Biarritz América Latina, ou seja o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, foi concedido a “Ofrenda”, primeiro filme do jovem cineasta argentino Juan Maria Mónaco Cagni, realizado com um orçamento de menos de mil dólares. O longa trata da andança sem rumo de duas mulheres que se encontram em uma pequena cidade na província de La Pampa argentina.

O prêmio do júri foi para o filme venezuelano “La Fortaleza”, de Jorge Thielen Armand, rodado na selva amazônica e interpretado pelo próprio pai do cineasta. O prêmio de público do melhor longa de ficção foi concedido a “Selva Trágica”, da mexicana Yulene Olaizola, uma trama tendo como pano de fundo os seringueiros que trabalham na mata que faz fronteira entre México e Belize.

O prêmio da crítica ficou com “Chico Ventana también quisiera tener um submarino”, do uruguaio Alex Piperno. O filme do gênero fantástico, rodado em vários países, é uma produção conjunta do Uruguai, Brasil, Argentina, Holanda e Filipinas.

Na categoria documentário, além da premiação concedida ao filme brasileiro “O Índio Cor de Rosa contra a fera Invisível”, o longa “El Outro”, do chileno Francisco Bermejo, ganhou o prêmio de melhor longa. O filme trata do retorno à vida primitiva de dois homens que vivem isolados numa cabana no litoral pacifico do Chile.

O prêmio de melhor curta metragem foi para “Teoría Social Numérica”, da colombiana Paola Michaels, uma discussão sobre a evolução digital e sobre a passagem do tempo, recorrendo a diferentes suportes de imagens, do Super 8 aos filmes feitos com celulares.

Quatro filmes brasileiros concorreram aos prêmios em diversas categorias dessa 29ª edição do festival: além do premiado documentário “O Índio Cor de Rosa”, o longa-metragem “Um animal amarelo”, de Felipe Bragança, disputou o prêmio de melhor longa de ficção. Na seção de curtas-metragens, dois filmes brasileiros figuravam na competição: “Menarca”, de Lillah Halla e “O Prazer de matar insetos”, de Leonardo Martinelli.

Festival Biarritz América Latina termina no domingo 4 de outubro.

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