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Suspeita de se passar por policial militar é presa em BH — Foto: Reprodução/redes sociais

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Justiça mantém prisão preventiva de jovem que fingia ser tenente da Polícia Militar

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A jovem de 23 anos presa na terça-feira (22) em Belo Horizonte, suspeita de fingir ser uma tenente da Polícia Militar para aplicar golpes, terá sua prisão mantida. Luiza Cristina de Assis Oliveira passou por audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (24) e teve sua prisão em flagrante convertida para preventiva pela juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto. Ela é investigada por estelionato, falsidade ideológica, usurpação de função pública e furto.

A magistrada, em sua decisão, citou as informações apresentadas por Luiza em suas redes sociais e repetidas nos contatos com possíveis vítimas. Entre as falsas informações, estava a alegação de que seria filha do Coronel Rodrigo de Sousa Rodrigues, ex-comandante geral da Polícia Militar de Minas Gerais. O dono de uma lanchonete, uma das vítimas da investigada, chegou a contatar o suposto pai de Luiza, acreditando que ele realmente era o coronel. A falsa família da suspeita ainda incluía uma mãe, suposta delegada da Polícia Civil, e um irmão que seria promotor de Justiça.

“A autora afirmou à vítima que tinha um consórcio junto ao Banco Santander, mas sempre apresentava desculpas quanto à ausência de liberação dos valores, bem como apresentou cartas – posteriormente constatadas como falsas – indicando supostos bloqueios bancários. Além disso, a autora apresentou documentos da Prefeitura de Belo Horizonte e alvarás da vigilância sanitária, igualmente falsos, afirmando ainda que teria dois filhos, supostamente de nomes Gael e Ravi, utilizando imagens de uma das crianças extraídas de redes sociais, porém a vítima nunca viu a criança com a autora”, citou a juíza em trecho da decisão. Os verdadeiros pais da criança foram alertados pelos investigadores sobre o uso indevido das fotos.

Aos policiais, Luiza afirmou que carregava uma réplica de arma de fogo para “gerar credibilidade à sua falsa identidade e apresentação de terceiros como se fosse policial militar”. Além da arma, foram apreendidos com a suspeita um coldre de neoprene, dois crachás falsos da Polícia Militar e cartões bancários com vários nomes. No quarto dela, foram localizados documentos do Tribunal de Justiça Militar, Batalhão da PM, Prefeitura de BH e até procurações em que assinava como advogada, utilizando a OAB de um defensor de Betim, na Grande BH.

“Em nova entrevista com os policiais, a autuada confirmou que referidos documentos eram confeccionados por ela e, com relação aos nomes dos beneficiários contidos nas cartas da previdência social, se tratavam de pessoas fictícias por ela criadas com o intuito de receber, indevidamente, benefícios assistenciais do governo”, cita parte da decisão. A juíza decidiu converter a prisão em flagrante para preventiva pelos crimes de furto (com fraude eletrônica, pelo uso de redes sociais) e falsidade ideológica.

A prisão ocorreu no bairro Milionários, em Belo Horizonte. Um comerciante, Marcos Vinicíus Freitas, de 34 anos, que foi alvo da falsa PM, explicou à imprensa local que a mulher aproveitava os momentos em que ele não estava na loja para furtar dinheiro do caixa. Ela prometia depositar valores na conta do proprietário, mas o dinheiro nunca chegava. Ela também usava do falso cargo para prometer sociedade com documentos irregulares.

“Ela pegava o dinheiro e falava que faria uma compra. Ninguém desconfiava, ela passava no caixa, depositava o dinheiro na conta dela e mandava áudio para mim, falando: ‘Marcos, estou mandando um dinheiro para você’. Se não fosse a investigação, eu nunca descobriria”, disse Freitas, que ainda contabiliza o prejuízo, estimado entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.

Segundo o boletim de ocorrência, Luiza utilizava redes sociais como Instagram, Threads e LinkedIn para se apresentar como “1º Tenente PMMG” e “Chefe do Núcleo de Justiça e Disciplina (NJD)”. Em seu perfil do LinkedIn, ela chegou a publicar uma foto dizendo que assumiria a chefia do Núcleo de Justiça e Disciplina do 41º Batalhão da Polícia Militar.

A falsa identidade era usada para conquistar credibilidade e atrair vítimas, como o proprietário da lanchonete onde foi abordada, com quem a suspeita negociava uma sociedade. Durante a abordagem, Luiza afirmou que faria um investimento financeiro na lanchonete por meio de um consórcio de uma instituição financeira, mas os documentos do tal consórcio foram apresentados e identificados como falsos.

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