Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou neste domingo sua reivindicação, por “segurança nacional”, sobre a Groenlândia, poucas horas depois de a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, ter pedido a Washington que “ponha fim às ameaças” sobre uma possível anexação do território.
“Precisamos da Groenlândia por razões de segurança nacional. Neste momento, é um local muito estratégico, cheio de navios russos e chineses”, afirmou o republicano em declarações à imprensa a bordo do avião presidencial, o Air Force One.
Trump também criticou a atuação de Copenhague na gestão da segurança da ilha ártica, que pertence à Dinamarca sob um regime de autonomia. “Para reforçar a segurança na Groenlândia, eles acrescentaram mais um trenó puxado por cães”, ironizou.
Questionado sobre a justificativa para uma eventual anexação, o presidente voltou a insistir no argumento da “segurança nacional”. “E a União Europeia precisa que a tenhamos, e eles sabem disso”, acrescentou.
Apesar de mencionar a presença de embarcações chinesas nas proximidades da Groenlândia, Trump negou que uma possível anexação possa afetar sua “muito boa relação” com o presidente da China, Xi Jinping.
“Temos o poder das tarifas, e ele tem outros poderes ao seu redor”, disse, sem detalhar sua estratégia, garantindo apenas que mantém a previsão de visitar o líder chinês em abril.
Poucas horas antes, Mette Frederiksen havia instado “com veemência os Estados Unidos a pôr fim às ameaças contra um aliado historicamente próximo e contra outro país e outro povo, que deixaram muito claro que não estão à venda”. A premiê também argumentou que a postura da administração Trump “não faz sentido”, uma vez que a Dinamarca — e, por consequência, a Groenlândia — integra a Otan.
Primeiro-ministro da Groenlândia diz “já basta”
Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia também reagiram a uma publicação nas redes sociais feita por Katie Miller, esposa do subchefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. Ela compartilhou uma imagem da ilha dinamarquesa nas cores da bandeira dos Estados Unidos, acompanhada da legenda em letras maiúsculas: “SOON” (“em breve”).
A publicação de Miller e as declarações de Trump ocorreram após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa pelo Exército dos EUA, durante uma operação militar surpresa que incluiu bombardeios sobre Caracas.
Especialistas avaliam que a ação na Venezuela funciona como um alerta a aliados dos Estados Unidos que demonstram preocupação com as ameaças de Trump de se apropriar de recursos estratégicos — começando por sua declarada intenção de anexar a Groenlândia.
“Essa imagem é desrespeitosa. As relações entre países e povos se baseiam no respeito e no direito internacional, e não em símbolos que ignoram nosso status e nossos direitos”, reagiu no Facebook o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen.
Ainda assim, o líder acrescentou que “não há motivo para pânico ou preocupação”, ressaltando que a Groenlândia “não está à venda e [seu] futuro não é decidido nas redes sociais”.
(Com informações de EP e AFP)