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O ex-vereador Carlos Bolsonaro divulgou nesta terça-feira (13) uma carta enviada ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No texto, Carlos classifica a detenção como uma “perseguição” e faz um apelo para que o pai resista ao que descreve como um processo de desgaste moral e emocional.
Na carta, Carlos afirma que a prisão teria como objetivo enfraquecer Bolsonaro psicologicamente. “O que estão fazendo agora não é justiça. É perseguição, é tortura, é imoralidade. É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho”, escreveu. Em outro trecho, reforça que o ex-presidente não estaria isolado e que a família permanecerá ao seu lado.
O ex-vereador também faz um apelo emocional ao pai, destacando a importância de sua presença para os filhos. “Levante-se todos os dias com a certeza de que sua história não termina aqui. Que seus filhos precisam de você vivo, forte e de cabeça erguida. Que ainda há muito o que atravessar — e nós atravessaremos juntos”, diz a carta.
Ao tornar o conteúdo público, Carlos afirmou, em suas redes sociais, que a decisão teve como objetivo demonstrar apoio irrestrito ao pai. Segundo ele, a divulgação serviria como forma de fortalecimento diante do momento vivido pela família. “Estarei sempre ao seu lado, independentemente de qualquer breve distanciamento neste martírio imposto por um grupo de perseguidores”, declarou.
Carlos Bolsonaro afirmou ainda que, durante a última visita ao pai na prisão, na quinta-feira (8), Jair Bolsonaro teria autorizado sua ida para Santa Catarina, onde o ex-vereador pretende concorrer a uma vaga no Senado.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que Jair Bolsonaro receba cartas enquanto estiver preso. A decisão estabelece que todo material destinado ao ex-presidente deve passar por inspeção prévia de segurança antes de ser entregue.
Abaixo a carta completa
Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Jair Messias Bolsonaro
Superintendência da Polícia Federal de Brasília
Pai,
Escrevo não apenas como filho, mas como alguém que te viu resistir quando tudo parecia perdido. Vi seu corpo ferido, tua alma testada, tua honra atacada de formas que poucos homens suportariam sem cair. E, ainda assim, você permaneceu de pé – mesmo quando tentaram te dobrar pela dor, pela injustiça, pela humilhação calculada e pelo silêncio imposto.
O que estão fazendo agora não é justiça. É perseguição, é tortura, é imoralidade. É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho. Mas você não está. Nunca esteve.
Cada dia que passa, pai, confirma aquilo que sempre soubemos: não é sobre erros, não é sobre leis – é sobre te quebrar moralmente. E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor. Amor por nós, teus filhos. Amor por quem acredita em você. Amor pela verdade.
Quero que saiba que estamos aqui. Firmes. Atentos. Fortes por você, quando o cansaço aperta. Precisamos de você em pé, pai. Precisamos da tua lucidez, da tua presença, da tua voz – mesmo que agora tentem calá-la entre paredes frias, barulhentas, molhadas e decisões arbitrárias.
Você nos ensinou que dignidade não se negocia.
Que caráter não se curva.
Que a verdade pode até ser perseguida, mas nunca enterrada.
É isso que nos sustenta agora.
É isso que deve te sustentar.
Levante-se todos os dias com a certeza de que sua história não termina aqui.
Que seus filhos precisam de você vivo, forte e de cabeça erguida.
Que ainda há muito o que atravessar – e nós atravessaremos juntos.
A injustiça não vence homens íntegros.
E você, pai, segue íntegro.
Com amor, lealdade e esperança,