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🧡 Ver Ofertas na ShopeeEstudo identifica proteína no sangue que pode indicar danos ligados ao Alzheimer até 21 anos antes dos sintomas
Uma equipe científica liderada pelo Instituto de Pesquisa Sant Pau (IR Sant Pau), de Barcelona, em colaboração com a Universidade Martin-Luther e o Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, identificou um sinal biológico no sangue capaz de indicar os primeiros sinais de danos nas estruturas pré-sinápticas associados ao Alzheimer até 21 anos antes do início dos sintomas de deterioração cognitiva.
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Até agora, detectar alterações precoces nas conexões cerebrais por meio de um simples exame de sangue era um desafio.
Os pesquisadores descobriram que a β-sinucleína pode atuar como um indicador do estado das sinapses — estruturas responsáveis pela comunicação entre os neurônios e que estão entre as primeiras a sofrer alterações durante o avanço da doença.
Segundo o estudo, os níveis sanguíneos da proteína começam a apresentar elevação anormal a partir da terceira década de vida.
Foco na síndrome de Down
O estudo concentrou-se especificamente em pessoas com síndrome de Down, grupo que apresenta maior predisposição para desenvolver a doença de Alzheimer.
A idade média do diagnóstico do Alzheimer prodrômico — fase em que surgem os primeiros indícios da doença — nesse grupo é de 50 anos, enquanto a demência costuma se manifestar por volta dos 54 anos.
Segundo os dados apresentados na pesquisa, pessoas com síndrome de Down apresentam prevalência de Alzheimer que chega a 90% a 100% entre os septuagenários.
A Dra. Olivia Belbin, chefe do grupo de Neurodegeneração Molecular do IR Sant Pau e autora sênior do estudo, destacou o objetivo da pesquisa:
“Um dos grandes desafios da pesquisa em Alzheimer é compreender o que está acontecendo no cérebro muitos anos antes de que apareçam os primeiros sintomas. Conhecer melhor essas primeiras mudanças é essencial para identificar em que momento as sinapses começam a falhar e para abrir a porta a estudar intervenções em fases cada vez mais precoces da doença”.
Um marcador precoce e diferente dos demais
Para realizar a pesquisa, a equipe avaliou uma coorte de 131 participantes, sendo 88 adultos com síndrome de Down em diferentes estágios da doença e 43 controles saudáveis.
As análises, publicadas na revista Alzheimer’s & Dementia, mostraram que os níveis de β-sinucleína no sangue eram 1,83 vez maiores entre pessoas com síndrome de Down assintomáticas em comparação com os controles. A concentração subiu para 2,82 vezes na fase prodrômica e para 3,67 vezes entre aqueles que já apresentavam demência.
Segundo as autoras, as alterações na β-sinucleína sanguínea aparecem antes de outros biomarcadores sanguíneos relacionados à patologia do Alzheimer na síndrome de Down.
Na prática, a alteração da β-sinucleína se antecipou em mais de sete anos a outros marcadores conhecidos, como a pTau217, relacionada à proteína tau; a NfL, associada a danos nos axônios; e a GFAP, relacionada à resposta inflamatória das células gliais.
Estudos anteriores já haviam mostrado que a β-sinucleína aumenta precocemente na doença de Alzheimer e também em pessoas com síndrome de Down. A novidade, segundo Alba Cervantes González, primeira autora e pesquisadora do IR Sant Pau, foi analisar como a proteína se comporta em comparação com outros biomarcadores sanguíneos e ao longo das diferentes fases da doença.
“Faltava-nos saber como se comportava em comparação com outros biomarcadores sanguíneos e ao longo das distintas fases da doença”, explicou a pesquisadora.
Segundo ela, os diferentes biomarcadores refletem processos distintos. Enquanto pTau217, NfL e GFAP estão relacionados a diferentes alterações provocadas pela doença, a β-sinucleína fornece informações sobre o estado das sinapses.
Associação com memória e alterações no cérebro
A pesquisa também encontrou uma associação entre níveis elevados de β-sinucleína e alterações na saúde cerebral.
As maiores concentrações da proteína foram relacionadas a um menor desempenho em testes de memória episódica. Exames de ressonância magnética e PET de glicose também mostraram associação entre níveis elevados de β-sinucleína, menor quantidade de substância cinzenta e redução do metabolismo em regiões cerebrais importantes, incluindo os lobos temporal, parietal e pré-frontal.
Segundo os pesquisadores, uma maior concentração da proteína está associada à atrofia cortical e ao hipometabolismo nessas regiões.
Para Belbin, a associação da β-sinucleína com alterações de memória e mudanças observadas diretamente no cérebro reforça a possibilidade de que a proteína esteja relacionada a processos relevantes da doença, e não apenas a uma alteração detectada em um exame de sangue.
A descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de exames de sangue capazes de acompanhar pacientes de maneira mais simples e menos invasiva do que procedimentos como punções lombares e exames de neuroimagem.
“Se queremos agir cada vez mais cedo frente ao Alzheimer, precisamos entender a sequência de mudanças que ocorre muito antes da demência”, afirmou Alba Cervantes.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda são necessários estudos longitudinais, capazes de acompanhar os mesmos participantes durante vários anos, para confirmar o comportamento da proteína ao longo da evolução da doença.
Ainda assim, os resultados indicam que a β-sinucleína pode funcionar como uma janela para observar alterações nas sinapses em uma fase muito precoce do Alzheimer, período que até agora era difícil de investigar por meio de exames de sangue.