Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão.
O CEO e sócio-fundador do Grupo Fictor, Rafael de Gois, é um dos principais alvos da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (25) em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação investiga uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias, estelionato e lavagem de dinheiro, que movimentou mais de R$ 500 milhões.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a Rafael de Gois na capital paulista. O ex-sócio do grupo, Luiz Rubini, também é alvo de mandados na cidade de São Paulo, incluindo a determinação judicial para quebra de sigilo bancário. Até as 08h20, pelo menos 14 pessoas já haviam sido presas pela PF. Ao todo, a operação envolve 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo.
Segundo a PF, o esquema criminoso contava com a cooptação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários para permitir saques e transferências irregulares. Os valores obtidos eram posteriormente ocultados por meio de empresas de fachada e convertidos em bens de luxo e criptoativos.
A Justiça determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 empresas.
O Grupo Fictor havia ganhado destaque em novembro do ano passado ao anunciar a compra do Banco Master, com aporte de R$ 3 bilhões e participação de investidores árabes, poucas horas antes da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central. A medida desencadeou uma crise reputacional, resultando em resgates de cerca de R$ 2 bilhões por investidores e levando ao pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest.
A PF informou que, além do Grupo Fictor, o esquema também teria sido utilizado por integrantes do Comando Vermelho para lavagem de dinheiro. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção, cujas penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
A investigação teve início em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado para obtenção de vantagens ilícitas, envolvendo operações complexas de fraude bancária e ocultação de recursos por meio de empresas de fachada.
