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A Polícia Federal devolveu as credenciais de trabalho de um agente do governo dos Estados Unidos que atua na sede da PF em Brasília. O funcionário teve o acesso cortado na semana passada, mas recuperou as credenciais nesta segunda-feira (27).
A medida foi baseada no princípio de reciprocidade – que estabelece que um país trata o outro da mesma forma como é tratado nas relações internacionais.
O que provocou a crise
Tudo começou quando o governo dos Estados Unidos pediu a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, que atuava junto ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) em Miami.
O governo americano atribuiu ao delegado a responsabilidade pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que estava foragido nos EUA. Ramagem foi preso em 13 de abril, solto dois dias depois, e tem um pedido de asilo político a ser analisado no país.
O presidente Donald Trump declarou:
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos.”
A justificativa para a saída de Carvalho foi “quebra de confiança”. Segundo apuração, Washington considerou que o delegado induziu ao erro agentes locais da polícia migratória ao convencê-los a ter Ramagem como alvo.
A reação do Brasil
Em resposta, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, cortou temporariamente o acesso de um agente americano que atuava na sede da PF em Brasília. O nome dele não foi divulgado.
O Itamaraty também cancelou o visto e determinou a saída de outro agente americano, Michael Myers, que trabalhava na troca de informações entre a PF e o ICE. Ele deixou o Brasil na quarta-feira (23).
Rodrigues explicou à Globonews:
“Um teve temporariamente o acesso cortado à PF por mim. Outro teve o visto cancelado e determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE.”
A devolução das credenciais
Sem as credenciais, o agente americano perdeu acesso à unidade em Brasília e às bases de dados usadas para cooperação entre as polícias dos dois países.
Com a decisão de devolução, ele pode voltar a atuar normalmente.
O caso Ramagem
Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela Primeira Turma do STF em setembro do ano passado, no âmbito do chamado “núcleo crucial da trama golpista”. Ele está foragido desde então.
Sobre a prisão nos EUA, Andrei Rodrigues disse que o ex-deputado foi alvo de uma abordagem por causa de uma infração de trânsito. Durante a checagem de documentos, verificou-se que ele estava com o visto vencido.
