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A Polícia Civil realizou nesta terça-feira (26) a segunda fase da Operação Hipócrates II, que investiga dois homens suspeitos de atuar ilegalmente como médicos em uma clínica particular na zona leste de São Paulo. Um dos investigados, Marcos Phelipe de Barros, foi preso. Já Mayke César Silva, alvo da primeira etapa da operação no ano passado, está foragido e, segundo a polícia, teria fugido para o Chile.
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Vídeo mostra aplicação de medicamento na rua
Vídeos obtidos pela polícia mostram Marcos Phelipe aplicando uma injeção em uma mulher na rua, ao lado de um carro, sem luvas e fora de ambiente adequado. Segundo os investigadores, a substância aplicada era o medicamento Mounjaro, usado no tratamento de diabetes tipo 2 e também para perda de peso.
Mais de 2 mil atendimentos em hospital
As investigações apontam que os dois trabalharam por cerca de dois anos como plantonistas no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista. No período, eles teriam realizado mais de 2 mil atendimentos usando identidades falsas de médicos verdadeiros.
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Polícia investiga ao menos nove mortes
A polícia apura ao menos nove mortes de pacientes que passaram pelas mãos dos falsos médicos. De acordo com o delegado Mariano de Araújo, responsável pelo caso, um laudo do IML já confirmou que uma das mortes ocorreu por erro de procedimento médico.
A vítima, uma mulher com problemas cardíacos, teria ficado horas sem realizar exames necessários para identificar um aneurisma na aorta.
Paciente com dengue morreu após parada cardíaca
Outro caso citado pela investigação envolve uma paciente diagnosticada com dengue. Segundo o delegado, os suspeitos não souberam agir diante da piora do quadro clínico e não conseguiram realizar manobras básicas de reanimação após uma parada cardíaca.
Como os suspeitos se passavam por médicos
Mayke é biomédico formado, enquanto Marcos Phelipe não possui formação universitária completa em Medicina. Para se passarem por médicos, os dois utilizavam documentos e registros profissionais de médicos reais do interior paulista, incluindo cópias de diplomas e números de CRM.
Funcionários relataram comportamento “irresponsável”
Funcionários da clínica disseram à polícia que os suspeitos demonstravam comportamento “infantil” e “irresponsável”, além de falta de preparo técnico. Segundo depoimentos, eles chegavam a dormir durante o plantão e davam ordens a outros funcionários mesmo sem qualificação adequada.
Direção do hospital foi afastada
Nesta nova fase da operação, a gestora administrativa do hospital, Daniela Antunes Krauthamer, e o diretor clínico da unidade, Fábio das Neves Filho, foram afastados das funções e tiveram medidas cautelares aplicadas, como apreensão de passaportes.
Segundo a polícia, a direção do hospital já havia sido alertada sobre a atuação dos suspeitos.
