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“Mataram meu filho 3° vez”: Leniel Borel reage a perdão judicial concedido a Monique após juíza citar misoginia

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O pai do menino Henry Borel, de 4 anos, morto em março de 2021, reagiu com indignação à decisão da juíza Elizabeth Machado Louro, do Segundo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança. A medida extinguiu a punibilidade dela pelo homicídio culposo do filho, após 10 dias de julgamento.

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Em declaração à imprensa, Leniel Borel afirmou que a decisão representa uma nova dor para a família.

“E agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar os seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos”, declarou Leniel.

O pai do menino também fez uma afirmação direta sobre o papel materno: “O que a gente espera de uma mãe? É proteção.”


A decisão inesperada da juíza

Em uma decisão que surpreendeu muitos acompanhantes do caso, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial à professora Monique Medeiros. O instituto está previsto no Código Penal e é comum em situações de homicídio culposo — quando não há intenção de matar. O perdão pode ser aplicado quando as próprias consequências do crime atingem o réu de forma tão trágica e grave que a punição se torna desnecessária ou desumana.

Na justificativa, a magistrada afirmou:

“Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que de resto não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar do completo desprezo pela dor de seu luto.”


O que os jurados decidiram

Monique foi denunciada por homicídio doloso por omissão (quando há intenção de matar, por inação). No entanto, os sete jurados populares que analisaram o processo descartaram que a mãe tenha contribuído deliberadamente para o crime. Eles condenaram o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelo assassinato do enteado.

Com a desclassificação da denúncia — de homicídio doloso para homicídio culposo —, a juíza aplicou o perdão judicial.


Críticas da magistrada à reação social

Elizabeth Machado Louro também fez duras críticas à forma como a sociedade tratou Monique Medeiros ao longo do processo. Segundo a juíza, a mãe de Henry sofreu “misoginia declarada”.

“Não posso me furtar a expressar meu pasmo diante da reação desproporcional e desmesurada da sociedade em geral, claramente discriminatória de gênero”, criticou a magistrada.

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