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Pesquisadores da Universidade Tsinghua e da Universidade de Pequim desenvolveram um robô humanoide capaz de jogar tênis utilizando técnicas avançadas de inteligência artificial. O projeto, chamado LATENT, representa um avanço importante na aplicação da tecnologia em ambientes do mundo real.
🎾Your humanoid tennis player is here!🤖
Introducing LATENT (Learning Athletic Humanoid Tennis Skills from Imperfect Human Motion Data) — the world’s first real-time whole-body planning and control algorithm for athletic humanoid tennis.
For the first time, a humanoid robot can… pic.twitter.com/gCi38wxHVQ
— Galbot (@GalbotRobotics) March 16, 2026
O sistema foi testado no robô Unitree G1, que conseguiu rebater bolas a velocidades superiores a 15 metros por segundo (cerca de 54 km/h) e manter trocas básicas com jogadores humanos.
Durante anos, os avanços da inteligência artificial se concentraram em ambientes digitais. Um marco ocorreu em 1997, quando o enxadrista Garry Kasparov foi derrotado pelo supercomputador Deep Blue, mostrando que máquinas poderiam superar humanos em tarefas complexas.
Desde então, sistemas como AlphaZero avançaram ainda mais, dominando jogos como xadrez, Go e até estratégias em tempo real. No entanto, levar essas capacidades para o mundo físico sempre foi um desafio maior, devido à necessidade de equilíbrio, coordenação e interação com objetos em movimento.
O tênis é considerado uma tarefa difícil para robôs por exigir rapidez, precisão e reação em frações de segundo. Para superar isso, os cientistas adotaram uma abordagem inovadora.
Em vez de usar grandes volumes de dados perfeitos, o sistema foi treinado com informações “imperfeitas”, baseadas em movimentos humanos reais. O robô aprendeu ações básicas, como forehand, backhand e deslocamento lateral, e passou a combinar esses movimentos para criar sua própria forma de jogar.
Os testes iniciais foram feitos em uma quadra reduzida, cerca de 17 vezes menor que uma oficial, o que facilitou o aprendizado.
Além disso, o robô consegue aprender com os próprios erros. Durante os testes, ele ajustou automaticamente sua postura, equilíbrio e o ângulo da raquete para melhorar o desempenho — um método conhecido como aprendizado por reforço.
Com 29 graus de liberdade, o robô tem ampla capacidade de movimento. Equipado com uma raquete adaptada por impressão 3D, ele conseguiu cobrir boa parte da quadra e responder a diferentes trajetórias da bola.
Apesar de ainda estar em nível básico, o desempenho já demonstra que robôs podem interagir de forma dinâmica com humanos em atividades físicas.
Os pesquisadores destacam que a tecnologia ainda está longe de competir com atletas profissionais, mas abre caminho para novas aplicações, como treinamento esportivo, reabilitação física e automação de tarefas que exigem coordenação motora.
O avanço também indica que técnicas usadas em ambientes virtuais podem ser aplicadas no mundo real. Segundo os cientistas, se um robô consegue aprender uma habilidade complexa como o tênis com dados limitados, o mesmo princípio pode ser usado em outras atividades do dia a dia.
Nos últimos meses, já surgiram relatos de robôs humanoides capazes de realizar tarefas como dobrar roupas, atender portas e até servir café, sinalizando um futuro cada vez mais próximo da convivência entre humanos e máquinas.
