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🧡 Ver Ofertas na ShopeeCientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciaram a criação de uma célula sintética inteiramente construída a partir de produtos químicos artificiais. Batizada de SpudCell, a estrutura é cerca de 50 vezes menor que uma bactéria comum e é capaz de realizar funções básicas da vida: alimentar-se, crescer, copiar seu próprio DNA, dividir-se e até passar por um processo semelhante à evolução ao longo de gerações.
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Diferentemente de tentativas anteriores, que modificavam células já existentes, a SpudCell foi montada inteiramente do zero. A descoberta foi publicada em um servidor de preprints (plataforma de artigos científicos que ainda não passaram pela revisão por pares), o que gerou debates e críticas na comunidade acadêmica.
Como funciona
A SpudCell é composta por gotículas microscópicas de água envoltas por uma membrana lipídica (de gordura). No interior dessa bolha, estão enzimas, produtos químicos e pequenos fragmentos de DNA que contêm as instruções para a sobrevivência da estrutura.
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O genoma da SpudCell possui apenas 90 mil pares de bases de DNA, um número expressivamente menor que os 3 bilhões do genoma humano. Até então, biólogos acreditavam que o menor genoma viável para uma célula viva seria de 113 mil pares — o que torna a SpudCell ainda mais simples do que o limite teórico estabelecido pela ciência.
A célula sintética conta com um “kit de ferramentas” bioquímico chamado PURE, que permite transformar as instruções do DNA em proteínas. Ela absorve energia ao se fundir com pequenas esferas de nutrientes (lipossomas) e, em seguida, utiliza esses insumos para replicar seu DNA e se preparar para a divisão celular.
Em um dos experimentos, os cientistas inseriram uma mutação que ajudava algumas SpudCells a coletar mais alimento e crescer mais rápido. Após cinco gerações, essas variantes mutantes representavam 60% da população — um indício de seleção natural. No entanto, os pesquisadores ressaltam que isso não pode ser considerado evolução verdadeira, já que a mutação foi induzida externamente.
Aplicações e controvérsias
Os pesquisadores esperam que, no futuro, essas células sintéticas funcionem como minúsculas fábricas biológicas, capazes de produzir medicamentos e outros compostos químicos de forma muito mais eficiente.
Por outro lado, o fato de o estudo ter sido divulgado antes da validação de outros cientistas gerou ressalvas. A professora Kerstin Göpfrich, bióloga molecular da Universidade de Heidelberg, alertou: “A história já mostrou várias vezes que a divulgação antes da revisão por pares pode dar errado. Um bom padrão ético seria se abster de divulgar até que o artigo tenha passado pelo processo normal de revisão.”
O professor John Dupré, filósofo da biologia na Universidade de Exeter, também questionou o impacto prático da descoberta: “Mesmo assumindo que a biologia sintética eventualmente produza entidades com todas as capacidades de uma célula bacteriana viva, é duvidoso que isso seja uma tecnologia mais eficaz do que a modificação de células naturalmente evoluídas.”
