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A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro, ganhou novos elementos após a exumação do corpo realizada na última sexta-feira (6), em Suzano, na Grande São Paulo. Peritos identificaram marcas na região do pescoço e em outras partes do corpo da policial, o que levou os investigadores a solicitar exames complementares.
O objetivo das novas análises é verificar se houve algum tipo de compressão no pescoço antes do disparo que matou a policial dentro do apartamento onde ela morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, no bairro do Brás, na região central da capital paulista.
No sábado (7), médicos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) Central realizaram exames de imagem, incluindo tomografia, para avaliar a lesão encontrada na região cervical da vítima. A perícia tenta confirmar se a marca pode indicar pressão ou estrangulamento antes da morte.
Gisele foi encontrada morta na manhã de 18 de fevereiro, dentro do imóvel onde vivia com o marido. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como morte suspeita após o surgimento de dúvidas sobre as circunstâncias do ocorrido.
Marcas e depoimentos levantam dúvidas
Além da lesão no pescoço, um socorrista que participou do atendimento afirmou ter observado uma área arroxeada próxima à mandíbula da vítima. Segundo ele, a marca poderia estar relacionada ao disparo, mas a conclusão dependerá dos laudos periciais.
Outro ponto que chama atenção dos investigadores é o horário do tiro. Uma vizinha relatou à polícia ter acordado às 7h28 após ouvir um estampido forte vindo do apartamento do casal. O horário é cerca de 30 minutos antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência.
Na chamada à Polícia Militar, registrada às 7h57, o tenente-coronel afirmou que a esposa havia tirado a própria vida.
“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, disse na ligação.
Pouco depois, às 8h05, ele acionou o Corpo de Bombeiros afirmando que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.
Cena chamou atenção de socorristas
Um dos socorristas relatou que considerou a cena incomum e decidiu registrá-la em fotos. Segundo ele, a arma estava posicionada na mão da vítima de uma maneira que não costumava aparecer em casos de suicídio.
A investigação também analisa a presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, no prédio na manhã da morte. Registros apontam que ele chegou ao local por volta das 9h07 e subiu até o apartamento acompanhado do tenente-coronel.
Imagens mostram que o magistrado deixou o imóvel às 9h18. Cerca de 11 minutos depois, Geraldo Neto também saiu do apartamento, já com outra roupa e após ter tomado banho. Policiais que estiveram no local relataram que ele apresentava forte cheiro de produto químico.
Inconsistências na versão apresentada
Depoimentos de bombeiros também levantaram questionamentos sobre o relato do oficial. Em depoimento à Polícia Civil, o tenente-coronel disse que estava no banho quando ouviu o disparo.
Entretanto, socorristas afirmaram que ele estava completamente seco quando chegaram ao apartamento e que não havia sinais de água no chão do imóvel.
Segundo o próprio depoimento do militar, ele teria entrado no banheiro por volta das 7h e ouvido um barulho cerca de um minuto depois. Ao sair do banheiro, disse ter encontrado a esposa caída na sala.
Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que encontrou o oficial de bermuda, sem camisa e sem sinais de que estivesse tomando banho.
Local comprometido
Laudos da Polícia Científica também apontaram que o local da morte não foi preservado adequadamente, o que prejudicou parte da perícia inicial e dificultou determinar quem efetuou o disparo.
Agora, os investigadores aguardam os resultados dos novos exames realizados após a exumação para tentar esclarecer as circunstâncias da morte da policial.
Defesa
Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso e que tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações.
Já os advogados do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan disseram que o magistrado esteve no apartamento como amigo do oficial e que prestará qualquer esclarecimento necessário à polícia.
