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O número de brasileiros endividados atingiu um novo recorde em fevereiro, conforme um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que apontou 80,2% de endividados no mês – a maior taxa desde 2010, início da série histórica. Este crescimento foi impulsionado, principalmente, pelas famílias de maior renda, que optam por utilizar crédito para manter seus padrões de consumo sem precisar usar seu próprio capital.
Para as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento aumentou de 65,5% em 2025 para 69,3% em 2026. Entre as formas mais comuns de dívida, o cartão de crédito continua liderando, sendo utilizado por 85% dos devedores. Carnês (16%), crédito pessoal (12,3%), financiamentos de casa (9,8%) e de carro (8,9%) também estão entre as modalidades principais de dívida.
Além do endividamento recorde, a inadimplência voltou a crescer após três meses de queda, alcançando 29,6%. Esta alta é preocupante, já que a média de atraso dos pagamentos também subiu, chegando a 65,1 meses – o maior valor desde o fim de 2024. A quantidade de consumidores inadimplentes por mais de 90 dias também aumentou para 49,5%, revelando atrasos mais prolongados.
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, observa que o aumento do endividamento não é algo comum, mas preocupa ainda mais o crescimento da inadimplência, considerando o impacto que o longo período de juros altos, promovido pela taxa Selic, tem sobre os orçamentos familiares. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, esclarece que mesmo sendo o crédito um impulsionador do consumo, o custo elevado do dinheiro cria um ciclo perigoso de endividamento, agravado pelos juros altos que tornam a amortização das dívidas mais difícil.
