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O rendimento médio mensal real dos brasileiros alcançou R$ 3.367 em 2025, o maior patamar da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra ainda que o rendimento mensal real domiciliar per capita chegou a R$ 2.264, registrando alta de 6,9% em relação a 2024 e estabelecendo um novo recorde.
Apesar do avanço na renda média da população, o estudo revelou uma leve piora na desigualdade social. O índice de Gini, indicador que mede a concentração de renda e varia de 0 a 1 — quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade — subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025.
Mesmo com a elevação, o nível permanece abaixo do registrado antes da pandemia, quando o índice era de 0,543 em 2019.
Diferença entre ricos e pobres aumentou
Os dados mostram que todas as faixas de renda tiveram crescimento, mas os ganhos foram mais expressivos entre os mais ricos.
Entre os 10% mais pobres, a renda domiciliar per capita subiu 3,1%, chegando a R$ 268 mensais, o equivalente a cerca de R$ 8,93 por dia.
Já entre os 10% mais ricos, o avanço foi de 8,7%, com renda média de R$ 9.117 mensais.
No topo da pirâmide, o 1% mais rico da população atingiu renda per capita de R$ 24.973, uma alta de 9,9%.
A concentração de renda segue elevada: os 10% mais ricos concentram 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares do país, enquanto os 70% mais pobres ficam com 32,8%.
Cenário mudou em relação ao pré-pandemia
Na comparação com 2019, no entanto, o desempenho das camadas mais pobres foi proporcionalmente superior.
A renda dos 10% mais pobres cresceu 78,7% no período, enquanto entre os 10% mais ricos o avanço foi de 11,9%. Na média da população, o crescimento foi de 18,9%.
O que explica o avanço maior entre os mais ricos
Segundo o analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, alguns fatores ajudam a explicar por que a renda das faixas mais altas avançou em ritmo superior em 2025.
Entre eles estão o mercado de trabalho aquecido, que elevou a remuneração de profissionais mais qualificados, os juros elevados, que aumentaram o retorno de aplicações financeiras, e a valorização dos aluguéis, que ampliou os ganhos patrimoniais.
Massa de renda também bate recorde
A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu R$ 481,389 bilhões em 2025, o maior valor já registrado, representando crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior.
O resultado reforça o cenário de expansão da renda no país, embora o avanço venha acompanhado do desafio de conter a retomada da desigualdade social.
