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O ator Nicolas Cage revelou, em entrevista à revista Variety publicada nesta quinta-feira (28), que recusou papéis em dois filmes que se tornariam gigantescos sucessos de bilheteria. Segundo ele, não se arrepende das decisões, pois os caminhos que escolheu o levaram a uma carreira consagrada.
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Duende Verde ficou com Willem Dafoe
O primeiro grande papel que Cage deixou escapar foi o do vilão Norman Osborn, também conhecido como Duende Verde, no “Homem-Aranha” de 2002, dirigido por Sam Raimi. O personagem acabou sendo interpretado por Willem Dafoe em uma atuação que se tornou uma das mais memoráveis do gênero de super-heróis.
Cage contou que chegou a almoçar com Raimi para discutir o projeto e chegou a fazer uma sugestão criativa ousada. Ele disse ao diretor:
“Sam e eu tivemos um ótimo almoço, e eu lhe disse: ‘Escute: quem quer que interprete o Homem-Aranha, deixem que ele faça uma cena onde esteja andando como uma aranha quando estiver sozinho’”.
No entanto, Cage acabou recusando o convite porque já estava comprometido com outro filme: “Adaptação” (Adaptation), dirigido por Spike Jonze.
“Ele queria que eu fizesse o Duende Verde”, explicou. “Eu gostava da ideia de Sam Raimi (…) mas eu tinha este outro filme chamado ‘Adaptação’”.
O longa-metragem de Jonze, lançado também em 2002, foi um sucesso de crítica, recebeu quatro indicações ao Oscar e é até hoje um dos trabalhos mais respeitados de Cage.
“Debi & Loide” perdeu espaço para o Oscar
Mas essa não foi a única vez que o ator trocou um possível sucesso de bilheteria por um projeto mais autoral. Cage também contou que recusou um dos papéis principais na comédia “Debi & Loide – Dois Idiotas em Apuros” (Dumb and Dumber), de 1994. O filme, que se tornou um clássico do humor pastelão, acabou sendo protagonizado por Jim Carrey e Jeff Daniels.
Na ocasião, Cage optou por estrelar ” Leaving Las Vegas” (Despedida em Las Vegas), um drama de baixo orçamento sobre um roteirista alcoólatra. A decisão foi acertada: sua atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator em 1996.
“Ambas as decisões foram as corretas para mim, e estou feliz com esses resultados”, afirmou o ator.
A relação com diretores renomados
Em outras entrevistas recentes, Cage também comentou como suas recusas afetaram sua relação com cineastas de renome. Ele revelou, por exemplo, que já havia dito “não” a Christopher Nolan, Paul Thomas Anderson e Woody Allen, e que, depois disso, muitos deles pararam de lhe oferecer papéis.
“Isso aconteceu um milhão de vezes”, disse o ator.
Ele revelou que recusou um papel no filme “Insônia” (2002), de Nolan, que acabou indo para Robin Williams. Desde então, o diretor de “Oppenheimer” nunca mais o escalou para nenhum de seus projetos e teria parado de retornar suas ligações.
O novo projeto e a visão criativa
As confissões de Cage ocorrem em meio à divulgação de sua nova série, “Spider-Noir”, ambientada no universo da Marvel. Na atração, ele finalmente interpretará uma versão do Homem-Aranha alinhada com sua própria visão artística. Segundo o ator, este é o primeiro projeto de super-herói com o qual ele realmente se identificou.
“Spider-Noir é uma versão do Homem-Aranha mais sombria e investigativa, o que combinou muito mais com o que eu sempre quis fazer na tela.”
