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Uma operação militar realizada neste domingo (22) em Tapalpa, no estado de Jalisco, teve como alvo Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Segundo a Secretaría de la Defensa Nacional (Sedena), a ação contou com cooperação das autoridades dos Estados Unidos.
De acordo com comunicado oficial, o planejamento e a execução da operação envolveram trabalhos de inteligência militar e coordenação bilateral com o governo norte-americano, que forneceu informações complementares consideradas estratégicas.
“Para a execução desta operação, além dos trabalhos de inteligência militar central, dentro do marco de coordenação e cooperação bilateral com os Estados Unidos, contou-se com informação complementar por parte das autoridades daquele país”, informou a Sedena.
Confronto e mortes
A ofensiva foi liderada por forças especiais do Exército mexicano e incluiu aeronaves da Força Aérea, além da participação da Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional. Também atuaram o Centro Nacional de Inteligência e a Fiscalía General da República, por meio da área especializada no combate ao crime organizado.
Durante a ação, militares teriam sido atacados por integrantes do grupo criminoso, o que resultou em confronto armado. Quatro suspeitos ligados ao CJNG morreram no local. Outros três ficaram gravemente feridos e faleceram durante a transferência para a Cidade do México. Entre eles estaria o próprio “El Mencho”, segundo as autoridades mexicanas.
Além das mortes, dois integrantes do cartel foram presos. As forças de segurança também apreenderam armamento pesado e veículos blindados, incluindo lançadores de foguetes com capacidade para derrubar aeronaves e destruir veículos — equipamentos de uso exclusivo das Forças Armadas, o que evidencia o alto poder de fogo da organização criminosa.
A operação mobilizou tropas da Guarda Nacional e do Exército provenientes da região central do país e de estados vizinhos a Jalisco. O objetivo foi reforçar a segurança em uma área considerada estratégica devido à forte presença do CJNG.
Após a divulgação da morte do líder do cartel, o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, classificou o episódio como “um acontecimento importante para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo”.
Em publicação nas redes sociais, Landau afirmou ter sido informado de que as forças mexicanas haviam eliminado “um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários e impiedosos”. Ele encerrou a mensagem com a frase: “Os bons somos mais do que os maus. Parabéns às forças de segurança da grande nação mexicana”.
Minutos depois, o diplomata adotou tom mais cauteloso ao comentar episódios de violência registrados em diferentes estados mexicanos após a notícia da morte do traficante. Segundo ele, a reação do crime organizado não surpreende, mas não deve enfraquecer as autoridades. “Não surpreende que os maus respondam com terror. Mas nunca devemos vacilar. Ânimo, México”, escreveu.
“El Mencho” era considerado o segundo mexicano mais procurado pelas autoridades dos Estados Unidos. O primeiro da lista é Rafael Caro Quintero, acusado do assassinato do agente da Drug Enforcement Administration (DEA) Enrique “Kiki” Camarena.
Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, Oseguera Cervantes comandava o CJNG — ou sua estrutura inicial — ao menos desde o ano 2000 e expandiu as operações do grupo para a maioria dos estados do México e para diversas cidades dos Estados Unidos. Seus primeiros passos no narcotráfico, no entanto, teriam ocorrido ainda antes desse período.
