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Nesta quinta-feira (12), o governo dos Estados Unidos anunciou uma autorização temporária que permite a venda de cargas de petróleo russo que atualmente permanecem em navios encalhados no mar. A medida é uma tentativa de conter a forte alta dos preços de energia, agravada pela escalada militar ligada ao Irã.
O Departamento do Tesouro informou que emitiu uma licença autorizando a entrega e comercialização de petróleo bruto e derivados russos carregados em embarcações até as 0h01 do dia 12 de março. A autorização permanecerá vigente até as 0h01 de 11 de abril, segundo o documento oficial.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a medida busca ampliar a disponibilidade de fornecimento energético nos mercados internacionais. “A intenção é aumentar o alcance global do suprimento existente”, afirmou em comunicado publicado na rede X. Ele destacou que se trata de uma decisão pontual e de curto prazo, que não trará “benefício financeiro significativo para o governo russo”, já que a maior parte da receita do país com energia vem de impostos aplicados no ponto de extração do petróleo.
Bessent ressaltou ainda que a alta temporária dos preços do petróleo é uma disrupção de curto prazo que trará benefícios significativos para a economia americana a longo prazo. Atualmente, estima-se que existam cerca de 124 milhões de barris de petróleo de origem russa em trânsito em 30 pontos do mundo, suficiente para abastecer o mercado por cinco a seis dias.
O preço do petróleo tem oscilado fortemente desde o início da guerra no Irã, chegando a quase US$ 120 por barril na segunda-feira. Na quinta-feira, o brent, referência global, fechou pouco acima de US$ 100 por barril, após o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ameaçar manter o Estreito de Ormuz fechado.
A autorização temporária cobre apenas petróleo russo já carregado em navios até a data limite e as compras podem ser realizadas até 11 de abril. A medida ocorre após os EUA concederem na semana passada uma isenção de 30 dias à Índia para comprar petróleo russo, também sem oferecer benefício financeiro relevante à Rússia, uma vez que envolve apenas cargas já em trânsito.
A ação representa uma flexibilização limitada das sanções impostas à Rússia pela invasão da Ucrânia em 2022, incluindo o teto de US$ 44,1 por barril para o petróleo russo estabelecido pelo G7 e pela União Europeia, que também planeja eliminar totalmente as importações de petróleo russo até o final de 2027.
Em 2022, o então presidente dos EUA, Joe Biden, havia proibido a importação de petróleo, gás natural liquefeito e carvão da Rússia, medida que permanece em vigor.
