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Cole Thomas Allen, de 31 anos, compareceu pela primeira vez a um tribunal federal em Washington nesta segunda-feira (27). Ele foi formalmente acusado por abrir fogo no hotel onde o presidente Donald Trump participava da Cena dos Correspondentes da Casa Branca.
O caso aconteceu no sábado (25), no Washington Hilton. Mais de 2.500 pessoas estavam no evento.
As acusações
O juiz Matthew Sharbaugh informou que Allen enfrenta três acusações federais:
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Duas relacionadas ao uso de armas de fogo
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Uma por tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos
Se condenado, ele pode pegar prisão perpétua.
A promotora federal Jocelyn Valentine detalhou ao tribunal que Allen chegou a Washington com uma espingarda de corredera (tipo pump-action), uma pistola e três facas. Segundo a acusação, ele tinha a intenção de cometer um assassinato político.
O que aconteceu no sábado
Allen tentou invadir a Cena dos Correspondentes armado. O Serviço Secreto o deteve em um posto de controle. Um agente levou um tiro no colete à prova de balas e recebeu alta médica pouco depois.
Não houve feridos graves entre os convidados. Trump e a primeira-dama Melania Trump foram evacuados do local.
O perfil do acusado
Allen nasceu em Torrance, na Califórnia. Ele é engenheiro mecânico formado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Também tem mestrado em ciência da computação pela Universidade Estadual da Califórnia, em Dominguez Hills (2025).
Trabalhava como desenvolvedor independente de jogos eletrônicos e professor na C2 Education. Em 2024, foi eleito “professor do mês” pela empresa.
Segundo a CBS News, ele não tem antecedentes criminais nem estava sob vigilância de autoridades federais.
Como ele agiu
Allen viajou de trem da Califórnia para Chicago e depois para Washington. Ele se hospedou no mesmo hotel onde aconteceria o jantar. As armas foram transportadas na bagagem sem levantar suspeitas.
Familiares disseram à revista Time que Allen tinha apresentado comportamentos estranhos e feito declarações extremas nos últimos meses. Ele chegou a dizer que faria “algo importante”.
Posicionamento político
Allen não tem filiação partidária registrada. No entanto, ele fez uma doção de US25(cercadeR 130) para a campanha de Kamala Harris em 2024 e participou de protestos de movimentos progressistas, como The Wide Awakes.
As autoridades encontraram nas redes sociais e nos dispositivos dele mensagens críticas à administração Trump, além de publicações com conteúdo político e religioso.
O manifesto
O FBI apreendeu um manifesto com mais de mil palavras enviado por Allen aos familiares antes do ataque. O documento fala em “justiça pessoal” e motivação religiosa.
Segundo o The Washington Times, Allen afirmou no texto que “não agir seria cumplicidade” e justificou a intenção de atacar altos funcionários do governo.
Trump confirmou a existência do manifesto e disse em entrevistas que lamenta que a família do acusado não tenha avisado as autoridades antes.
O que vem agora
O juiz marcou uma nova audiência para a manhã de quinta-feira (30). Nela, será decidido se Allen continua preso preventivamente durante o processo.
Ele não se declarou culpado ou inocente na primeira audiência – uma decisão combinada com sua advogada, Tezira Abe. A defesa destacou que o acusado não tem antecedentes criminais.
A promotora federal Jeanine Pirro disse em entrevista coletiva que novas acusações devem ser apresentadas ao longo da semana.
Investigações em andamento
O FBI e o Serviço Secreto seguem investigando o caso. Eles analisam antecedentes, dispositivos eletrônicos, escritos do suspeito e depoimentos de familiares e conhecidos.
As autoridades fizeram buscas na casa da família Allen em Torrance e no quarto dele no hotel Hilton. A irmã do acusado, em Rockville, Maryland, disse aos policiais que não sabia que ele guardava armas na casa dos pais.
Repercussão
O incidente reacendeu o debate sobre a segurança em eventos públicos e o acesso a armas de fogo nos Estados Unidos. O caso também trouxe à tona discussões sobre radicalização motivada por questões ideológicas.
