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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a São Petersburgo nesta segunda-feira (27). Ele tem encontros marcados com autoridades russas, incluindo o presidente Vladimir Putin. A viagem acontece em meio a esforços diplomáticos para manter vivas as negociações de paz entre Irã e Estados Unidos.
A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio do aplicativo Telegram. De acordo com a nota oficial, Araghchi chegou à Rússia depois de visitar Omã e também passagens por Islamabad, no Paquistão. O objetivo da agenda é manter aberto o canal de conversas entre Teerã e Washington.
Ao desembarcar, o chanceler disse à imprensa iraniana que viajou à Rússia “com o objetivo de continuar as estreitas consultas entre Teerã e Moscou sobre questões regionais e internacionais”.
Ele também afirmou que o encontro com Putin, previsto para mais tarde, “será uma boa oportunidade para discutir os acontecimentos da guerra e repassar a situação atual”.
“Confio que estas consultas e a coordenação entre os dois países a este respeito revestem uma importância particular”, completou Araghchi.
Visitas ao Paquistão e a Omã
O ministro iraniano classificou a passagem por Islamabad como “muito produtiva” e disse que houve “boas consultas”. Segundo a agência estatal IRNA, ele explicou que os funcionários paquistaneses “revisaram os acontecimentos passados e as condições específicas sob as quais poderiam continuar as negociações entre Irã e Estados Unidos”.
Já em Omã, Araghchi afirmou que os dois países conversaram sobre o estreito de Ormuz. Segundo ele, “Irã e Omã são os dois estados ribeirinhos do estreito de Ormuz, o que torna necessárias as consultas mútuas, especialmente agora que o passo seguro através do estreito se tornou um importante problema mundial”.
“É natural que, como nações ribeirinhas deste estreito, devamos entabular um diálogo para garantir que se satisfaçam nossos interesses comuns e para nos mantermos coordenados em qualquer ação que empreendamos, já que os interesses tanto do Irã quanto de Omã estão diretamente envolvidos”, acrescentou.
O chanceler também informou que existe um “alto grau de consenso” entre os dois países e que ambas as partes concordaram que “as consultas deveriam continuar a nível de especialistas”.
Posição dos Estados Unidos
Enquanto isso, o governo do presidente Donald Trump decidiu usar o fator tempo como principal ferramenta de pressão contra o Irã. Em entrevista à Fox News no domingo (26), Trump foi direto: ele não sente “nenhuma pressa” para fechar um novo acordo com Teerã.
O presidente americano afirmou que o tempo está a favor de Washington. Segundo ele, os canais de comunicação seguem abertos por meio de aliados como o Paquistão, mas não há urgência para começar as negociações agora.
“Podem vir a nós, ou podem nos chamar”, disse Trump.
O mandatário repetiu que seu principal objetivo continua sendo impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Ele classificou essa possibilidade como uma ameaça à estabilidade internacional.
“Não se pode permitir que o Irã possua armas nucleares sob nenhuma circunstância. Usariam essas armas e colocariam em perigo Israel, a Europa e os próprios Estados Unidos. Estamos fazendo um serviço ao mundo ao evitá-lo”, afirmou.
Cessar-fogo e tensão no Líbano
O cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã continua valendo até o momento. Mas os impactos econômicos do conflito já são sentidos ao redor do mundo.
Paralelamente, Israel e o grupo Hezbollah trocaram acusações sobre supostas violações do frágil cessar-fogo no Líbano.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou em reunião semanal do gabinete que as ações do Hezbollah estão “desmantelando o alto o cessar-fogo”. O grupo, por sua vez, afirmou que vai responder às violações israelenses e à “ocupação continuada”.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que ataques israelenses no sul do país deixaram 14 mortos, entre eles duas mulheres e duas crianças, além de 37 feridos.
