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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11) uma série de requerimentos envolvendo o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, ex-funcionários do Banco Central (BC) e empresas ligadas ao Banco Master.
Entre as medidas aprovadas estão a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Zettel e do preso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que atentou contra a própria vida enquanto estava na Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Mourão foi resgatado com vida, encaminhado ao Hospital Luiz XXIII, mas não resistiu e teve a morte confirmada após a conclusão do protocolo de morte encefálica.
A CPI também aprovou a convocação de Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, respectivamente ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária e ex-diretor de Fiscalização do BC, e pediu acesso a informações detalhadas sobre o processo administrativo que levou à demissão dos dois. Além disso, a comissão solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, dados sobre investigações do Banco Master e sobre a morte de Mourão.
Fabiano Zettel, casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro, é pastor da igreja Lagoinha e atuava como intermediário e coordenador de empresas de fachada de Vorcaro. Ele era responsável por repassar R$ 1 milhão por mês a Mourão para organizar e pagar integrantes de um grupo que funcionava como uma milícia privada a serviço do banqueiro. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam ordens de intimidação a funcionários, desafetos e até ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Paulo Sérgio Neves de Souza, por sua vez, vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo ligado a Zettel e é apontado como “consultor informal” do Master dentro do BC. Bellini Santana teria retardado o envio de documentos à Polícia Federal, prejudicando a primeira prisão de Vorcaro.
A CPI também aprovou o acesso a relatórios de quebras de sigilos de empresas suspeitas de lavagem de dinheiro: King Participações Imobiliárias, King Motors Locação de Veículos e Participações, e Varajo Consultoria Empresarial.
Outros empresários tiveram seus sigilos quebrados, entre eles Francisco Emerson Maximiano (Precisa Medicamentos), Danilo Berndt Trento (Prima Vitalia), Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), todos investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude em contratos públicos.
A comissão ainda convocou Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital; Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da Varajo Consultoria Empresarial; Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia da Super Empreendimentos e Participações S.A.; e Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal.
Duas votações foram adiadas para análise futura: a convocação de José Pedro Gonçalves Taques, ex-senador e ex-governador do Mato Grosso, e a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Cidadania João Roma (PL).
A CPI do Crime Organizado segue investigando ligações entre banqueiros, ex-funcionários do BC e grupos suspeitos de atuação criminosa, enquanto busca esclarecer o papel de Mourão e a movimentação financeira das empresas envolvidas.
