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Um grupo de cientistas de cinco países desenvolveu uma camada semelhante ao esmalte dental humano utilizando queratina extraída de cabelos. Esta descoberta, ainda em fase experimental, busca abrir caminhos para a regeneração futura de dentes e foi publicada na revista Advanced Healthcare Materials. O desenvolvimento pode se tornar uma alternativa às restaurações odontológicas tradicionais e apresentar novas formas de tratar danos no esmalte dental.
O esmalte é a parte mais dura do corpo humano e não se regenera quando danificado. Lesões e desgastes aumentam a sensibilidade dental e o risco de cáries. A pesquisa, que utilizou queratina, busca oferecer soluções inovadoras que possam um dia transformar a forma como essa estrutura é reparada. A investigação foi conduzida por Sara Gamea, Sherif Elsharkawy e outros colegas do King’s College London, em parceria com especialistas do Reino Unido, Egito, Itália, Suécia e Canadá.
O esmalte dental reveste a parte externa dos dentes e protege as camadas internas, como a dentina e a polpa. Devido à sua alta concentração de minerais, é resistente à corrosão, mas exposição prolongada a ácidos, traumas ou má higiene pode comprometer sua integridade. Quando o esmalte se desgasta, os dentes ficam vulneráveis a microorganismos e mais sensíveis a estímulos como frio, calor ou alimentos doces, aumentando a susceptibilidade a cáries, infecções e fraturas. As soluções atuais incluem resinas dentais, coroas e revestimentos artificiais que não restauram a biologia original do esmalte.
Desde a década passada, cientistas mundialmente buscam alternativas para regenerar ou reparar tecidos dentais com substâncias similares ao esmalte natural. O maior desafio é criar materiais que correspondam à dureza e estrutura do esmalte sem causar rejeição ou complicações futuras. No estudo recente, os pesquisadores recolheram cabelo humano para extrair proteínas de queratina, fabricando assim andames tridimensionais que imitam a organização natural das fibras capilares. Posteriormente, os andames de queratina foram expostos a soluções contendo cálcio e fosfato, minerais presentes no esmalte, aplicando um processo de mineralização controlada que promoveu formação de cristais na superfície dos andames.
O experimento evidenciou que a queratina humana pode servir de base para a formação de camadas similares ao esmalte. Apesar dos resultados promissores, os testes se restringiram a condições laboratoriais, sem ensaios em animais ou humanos. Como próximos passos, os pesquisadores acreditam ser necessário expandir os estudos para modelos vivos e explorar a viabilidade do uso desta técnica em restaurações odontológicas reais. O objetivo final é alcançar restaurações mais naturais e sustentáveis a partir de materiais renováveis derivados de recursos humanos.
