Saúde

Exposição a produto químico comum pode aumentar risco de Parkinson em até 4 vezes

(Pixabay)

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Um novo estudo aponta que a exposição prolongada ao tricloroetileno (TCE), uma substância química usada em desengraxe de metais e limpeza a seco, pode elevar o risco de desenvolvimento da doença de Parkinson em idosos. Pesquisadores afirmam que pessoas que vivem em áreas com os maiores níveis de TCE no ar apresentam risco 10% maior de desenvolver o distúrbio em comparação com residentes de regiões com menor concentração do químico.

O levantamento, publicado na revista Neurology, também revelou que o risco é até quatro vezes maior para pessoas que residem de uma a cinco milhas na direção do vento de uma fábrica em Oregon que utiliza o TCE.

“A exposição a longo prazo ao tricloroetileno no ar exterior foi associada a um aumento pequeno, mas mensurável, no risco de Parkinson”, disse Brittany Krzyzanowski, professora assistente do Instituto Neurológico Barrow, em Phoenix, e pesquisadora principal do estudo. Ela acrescentou que os resultados “adicionam evidências de que exposições ambientais podem contribuir para a doença de Parkinson”.

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O tricloroetileno já é conhecido por causar câncer de rim, e estudos anteriores também o associaram a cânceres de sangue e fígado, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos EUA. Presente de forma persistente no ar, na água e no solo, o TCE era encontrado em até 30% do abastecimento de água potável americano, de acordo com relatório da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) de 2000.

Em 2024, a EPA proibiu o uso do TCE para fins comerciais e de consumo, mas a medida foi suspensa devido a um desafio legal, mantendo o químico em uso.

Para o estudo, pesquisadores analisaram dados do Medicare e identificaram pessoas com 67 anos ou mais recém-diagnosticadas com Parkinson entre 2016 e 2018, comparando cada participante com cinco idosos sem a doença. No total, foram incluídos quase 222 mil pacientes com Parkinson e mais de 1,1 milhão sem a doença.

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Usando códigos postais e dados da EPA, a equipe mapeou a exposição ao TCE no ar ao longo de dois anos antes do diagnóstico. O estudo mostrou que, mesmo após controlar outros fatores de risco, a exposição a níveis elevados do químico estava associada a maior probabilidade de desenvolver Parkinson.

“Embora o aumento no risco seja modesto, o grande número de pessoas expostas ao TCE no ambiente significa que o impacto potencial na saúde pública pode ser substancial”, ressaltou Krzyzanowski.

O estudo identificou áreas críticas, principalmente na região do Cinturão de Ferrugem, e três instalações industriais que funcionavam como as maiores emissoras de TCE em 2002. Os resultados indicaram que o risco de Parkinson era maior nas proximidades de duas dessas instalações, especialmente em uma fábrica de baterias de lítio em Lebanon, Oregon, onde pessoas a uma a cinco milhas na direção do vento tinham risco mais de quatro vezes maior de desenvolver a doença do que aquelas a 10 milhas.

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“Isso ressalta a necessidade de regulamentações mais rígidas e maior monitoramento dos poluentes industriais”, comentou a pesquisadora.

Apesar das evidências, os autores ressaltam que o estudo não estabelece uma relação causal direta entre TCE e Parkinson, apenas uma associação. Pesquisas anteriores, como a que analisou a contaminação por TCE em água potável na base dos Fuzileiros Navais de Camp Lejeune, na Carolina do Norte, também apontaram aumento de risco — cerca de 70% — entre militares estacionados no local.

Mais informações sobre o tricloroetileno podem ser obtidas junto à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

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