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Especialistas em saúde cerebral alertam que mudanças sutis de personalidade na meia-idade podem ser um dos primeiros sinais de demência, surgindo anos antes de problemas de memória aparecerem.
A professora Gill Livingston, especialista em psiquiatria de idosos da University College London, afirma ao jornal The Daily Telegraph, que alterações no comportamento, na confiança e nas respostas emocionais costumam ser percebidas por familiares muito antes de um diagnóstico formal.
Estudos que acompanharam milhares de pessoas no Reino Unido indicam que mudanças em traços de personalidade por volta dos 40 e 50 anos podem estar associadas a um risco maior de desenvolver demência no futuro. Segundo os pesquisadores, danos cerebrais nas fases iniciais da doença podem alterar a forma como a pessoa pensa, sente e reage antes mesmo dos sintomas clássicos aparecerem.
Médicos relatam que familiares frequentemente percebem primeiro mudanças de comportamento — como ansiedade, impulsividade ou isolamento — e não necessariamente falhas de memória.
Sinais que podem indicar risco de demência
Pesquisadores identificaram alguns sinais de alerta que podem surgir anos antes do diagnóstico:
• Perda de confiança em si mesmo:
Pessoas que relatam perda de autoconfiança na meia-idade apresentaram cerca de 50% mais risco de desenvolver demência no futuro.
• Dificuldade para lidar com problemas do dia a dia:
Indivíduos que passaram a sentir que não conseguem enfrentar desafios cotidianos podem estar demonstrando uma redução da chamada reserva cognitiva, capacidade do cérebro de lidar com situações complexas.
• Distanciamento emocional:
A diminuição da capacidade de demonstrar carinho ou empatia por outras pessoas também foi associada a maior risco de demência.
• Nervosismo constante:
Sentir-se frequentemente tenso, ansioso ou nervoso pode indicar níveis elevados de estresse, fator que pode prejudicar a saúde do cérebro ao longo do tempo.
• Insatisfação frequente com tarefas:
Pessoas que passam a sentir que as coisas não estão sendo feitas corretamente ou demonstram irritação constante com tarefas cotidianas podem apresentar mudanças cognitivas iniciais.
• Dificuldade de concentração:
Problemas frequentes de foco e atenção também foram associados ao risco aumentado da doença.
O especialista em demência Geir Selbaek, da University of Oslo, afirma que o estresse crônico pode contribuir para esses sintomas. Segundo ele, níveis elevados de estresse aumentam a inflamação no organismo, o que pode afetar o cérebro.
Especialistas ressaltam que mudanças de personalidade nem sempre indicam demência, já que fatores como estresse, eventos de vida, menopausa ou problemas de saúde mental também podem provocar alterações comportamentais.
No entanto, quando há uma mudança clara em relação ao comportamento habitual da pessoa, a recomendação é procurar avaliação médica.
Pesquisadores destacam ainda que até 45% dos casos de demência estão ligados a fatores de estilo de vida, o que significa que medidas preventivas podem ajudar a reduzir o risco.
Entre as recomendações estão manter uma vida social ativa, praticar exercícios físicos regularmente, controlar o estresse, manter rotinas saudáveis e tratar quadros de depressão.
