Saúde

Confira por que órgãos maiores em pessoas obesas podem aumentar o risco de câncer, segundo estudo

(Unsplash

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O excesso de peso não afeta apenas o metabolismo e os hormônios: ele também provoca mudanças no tamanho e na estrutura de órgãos vitais, aumentando o risco de câncer, segundo pesquisa publicada na revista médica Cancer Research.

O estudo, liderado pelas instituições City of Hope e TGen, nos Estados Unidos, analisou 747 adultos com diferentes valores de IMC (índice de massa corporal), do baixo peso à obesidade grave. Os resultados mostram que órgãos como fígado, rins e pâncreas crescem de forma significativa em pessoas obesas, multiplicando o número de células que podem sofrer mutações e se transformar em tumores.

Como a obesidade afeta os órgãos

Segundo a pesquisa:

  • O fígado aumenta cerca de 12% a cada cinco pontos de IMC
  • Os rins crescem 9%
  • O pâncreas aumenta 7%

Mais de 60% do crescimento dos rins se deve à hiperplasia, ou seja, ao aumento do número de células, e o restante ao aumento do tamanho das células (hipertrofia). Isso mostra que o acúmulo de gordura não explica sozinho o aumento dos órgãos.

De acordo com Sophie Pénisson, doutora e professora associada do TGen, “quando um órgão duplica de tamanho, espera-se que o risco de desenvolver câncer também dobre aproximadamente”.

Além disso, o estudo destaca que o IMC não é uma medida precisa para prever o tamanho real dos órgãos, já que não diferencia massa magra de gordura. Para alguns órgãos, suas dimensões podem indicar melhor o risco de câncer do que apenas o índice de massa corporal.

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Impacto na prevenção do câncer

Os pesquisadores reforçam a importância de manter um peso saudável desde a infância, já que as células levam décadas para acumular alterações que podem resultar em tumores. Cristian Tomasetti, diretor do Centro para a Prevenção, Detecção Precoce e Monitoramento do Câncer da City of Hope, afirma que a prevenção precoce é essencial para reduzir o risco futuro.

Estudos futuros vão avaliar se a perda de peso pode diminuir o tamanho dos órgãos e, consequentemente, o risco de câncer. Pesquisas também vão analisar o efeito de medicamentos como os agonistas de GLP-1, utilizados para auxiliar na redução de peso, como possível estratégia preventiva.

Segundo os autores, a obesidade desde a infância aumenta o tempo e as oportunidades para que as células acumulem danos, elevando a probabilidade de surgimento de tumores ao longo da vida.

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