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Uma nova pesquisa internacional indica que a obesidade pode estar associada a um número maior de tipos de câncer do que se estimava anteriormente. O estudo também aponta que a perda de peso pode ser uma das estratégias mais eficazes para reduzir o risco da doença.
A pesquisa, publicada na revista científica JAMA Oncology, analisou dados de Reino Unido, Alemanha e Suécia para investigar a relação entre excesso de peso e câncer. No Reino Unido, os pesquisadores acompanharam mais de 458 mil pessoas e identificaram que a obesidade estava ligada a 7,2% dos casos de câncer gastrointestinal diagnosticados nos primeiros quatro anos. Esse percentual subiu para 17,7% quando considerados diagnósticos realizados após esse período.
Segundo os autores, isso pode indicar que a relação entre obesidade e câncer tem sido subestimada, já que pessoas com tumores ainda não diagnosticados podem apresentar perda de peso, mascarando os dados iniciais.
Na Alemanha, a análise de mais de 10 mil participantes mostrou que o excesso de peso prolongado ao longo da vida tem relação mais forte com o risco de câncer de intestino do que o índice de massa corporal (IMC) isolado.
Já na Suécia, estudo com mais de 339 mil pessoas apontou que homens com maior circunferência abdominal apresentaram risco 25% maior de desenvolver cânceres associados à obesidade, índice superior ao observado quando considerado apenas o IMC. O dado sugere que a gordura abdominal pode ser um indicador mais relevante de risco.
De forma geral, os pesquisadores observaram que o risco de câncer pode começar a aumentar mesmo abaixo do limite considerado como sobrepeso (IMC 25), o que levanta questionamentos sobre os parâmetros atuais de avaliação.
Os autores defendem que o controle da obesidade tem sido pouco explorado como estratégia de prevenção do câncer e propõem um novo modelo de avaliação, que considera o histórico de peso ao longo da vida, a perda de peso antes do diagnóstico e medidas como a circunferência da cintura.
O estudo também reforça a necessidade de integrar políticas de prevenção da obesidade aos sistemas de saúde pública. Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer relação direta de causa e efeito.
