A apneia obstrutiva do sono (AOS) é uma condição em que a respiração é interrompida repetidamente durante o sono, geralmente devido ao relaxamento e estreitamento das vias aéreas. O distúrbio afeta quase um bilhão de pessoas no mundo e está frequentemente associado a roncos altos, despertares noturnos com falta de ar e cansaço excessivo durante o dia.
Sem tratamento, a condição pode elevar o risco de hipertensão, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes tipo 2. No entanto, pesquisadores alertam que o risco pode não estar apenas na gravidade média da doença, mas também na oscilação dos sintomas entre diferentes noites.
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Um estudo publicado no periódico SLEEP, liderado por pesquisadores da Flinders University, analisou dados de mais de 3 mil adultos monitorados em casa. Os resultados indicaram que pessoas com maior variação noturna nos eventos respiratórios tiveram cerca de um terço a mais de probabilidade de sofrer infarto, AVC ou insuficiência cardíaca, mesmo quando a apneia era considerada moderada na média.
Segundo o autor principal do estudo, Dr. Bastien Lechat, variações intensas entre noites podem gerar maior estresse ao sistema cardiovascular. Ele afirma que exames realizados em apenas uma noite podem não ser suficientes para identificar todos os pacientes em risco.
“Algumas noites podem ser muito piores do que outras, e esse efeito de oscilações pode colocar estresse adicional no coração”, explicou o pesquisador.
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Em outro estudo internacional, também conduzido pela Flinders University e publicado na revista npj Digital Medicine, pesquisadores acompanharam quase 30 mil pessoas ao longo de vários anos por meio de dispositivos de monitoramento do sono em casa. O levantamento identificou que apneia mais grave, ronco persistente e alta variabilidade dos sintomas estão associados a um envelhecimento mais acelerado dos vasos sanguíneos — um indicador precoce de risco cardiovascular.
De acordo com a pesquisadora Dr. Lucia Pinilla, os resultados reforçam a importância de avaliações repetidas do sono. Ela destaca que o monitoramento ao longo de várias noites pode ser mais eficaz do que análises isoladas.
“O sono deve ser visto como um filme em movimento, e não como uma fotografia única”, afirmou.
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Os pesquisadores ressaltam que os estudos não comprovam relação de causa direta entre a variação da apneia do sono e doenças cardíacas, mas indicam a necessidade de novos métodos de avaliação e acompanhamento.
Especialistas recomendam que pessoas que roncam com frequência, acordam ofegantes ou se sentem constantemente cansadas procurem avaliação médica. Existem tratamentos disponíveis que podem reduzir os sintomas e os riscos associados à apneia do sono.