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O câncer de bexiga é um dos tumores mais frequentes no mundo, mas ainda é pouco conhecido pela população em geral. Especialistas alertam que a detecção precoce é determinante para o prognóstico, e que muitos pacientes ignoram os sintomas de alerta ou os atribuem a outras causas.
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Os dois tipos da doença
Segundo a oncologista Aránzazu González del Alba, o câncer de bexiga se classifica em duas categorias conforme o grau de invasão do tumor:
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Câncer não músculo-invasivo (75% dos casos): tumores em estágio 0 e I, onde as células cancerosas estão contidas no revestimento da bexiga, sem invadir a parede muscular do órgão.
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Câncer músculo-invasivo (25% a 30% dos casos): o tumor já penetrou na parede muscular da bexiga. Nos estágios mais avançados, começa a se disseminar para outras partes do corpo.
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Tabagismo é o principal fator de risco
Estima-se que cerca de 50% dos casos estão vinculados ao consumo de tabaco. Os compostos carcinogênicos do cigarro são absorvidos, eliminados pela urina e entram em contato prolongado com o urotélio (revestimento interno da bexiga), favorecendo a transformação maligna das células.
A presidente do Grupo Espanhol de Oncologia Genitourinária (SOGUG) explicou o mecanismo:
“O tabaco contém numerosos carcinógenos químicos que entram em contato com a mucosa da bexiga do fumante mediante sua eliminação pela urina. Quanto mais tempo e mais cigarros uma pessoa tenha fumado, maior o risco. A população deve saber que está em nossa mão prevenir quase a metade dos casos de câncer de bexiga.”
Outros fatores de risco
Cerca de 20% dos tumores podem estar relacionados à exposição a carcinógenos químicos no ambiente de trabalho, como tintes, pinturas, borracha, metais e alguns plásticos. Também estão associados à doença:
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Irritação crônica por infecções urinárias de repetição
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Cálculos na bexiga
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Uso prolongado de cateteres
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Doenças hereditárias como a síndrome de Lynch
O principal sinal de alerta
O sintoma mais frequente do câncer de bexiga é a hematuria – presença de sangue na urina. Em alguns casos, o sangue é visível a olho nu; em outros, só é detectado por meio de exame laboratorial.
O coordenador nacional do Grupo de Uro-Oncologia da Associação Espanhola de Urologia (AEU), Daniel Pérez Fentes, alerta:
“Ante qualquer episódio de sangue na urina, mesmo que se resolva, é fundamental descartar ativamente a presença de um tumor vesical com a realização de exames-chave como a cistoscopia.”
Outros sinais de alerta
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Aumento da frequência urinária
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Emissão de pouca quantidade de urina
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Dor abdominal
O risco do diagnóstico tardio
Um dos principais problemas da doença é que a hematuria pode ser confundida com infecção urinária ou cálculo renal, o que atrasa o diagnóstico e compromete o prognóstico do paciente.
O presidente da Aliança pelo Câncer de Bexiga na Espanha (Canves), Laurent Gemenick, afirmou:
“Grande parte da cidadania e muitos pacientes desconhecem a hematuria como possível sintoma do câncer de bexiga. Outros sintomas, como o aumento da frequência urinária ou a dor abdominal, devem receber atenção médica quando persistem ou se apresentam junto com hematuria.”
