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Os preços do petróleo nos Estados Unidos caíram cerca de 2% nesta segunda-feira (7), aprofundando as perdas acentuadas da semana anterior, em meio ao temor de que as tarifas globais impostas pelo ex-presidente Donald Trump possam empurrar os EUA — e possivelmente o mundo — para uma recessão.
O barril do petróleo tipo WTI (West Texas Intermediate), referência americana, chegou a ser negociado a US$ 58,95, o menor nível desde 2021. O Brent, referência global, bateu uma mínima intradiária de US$ 62,51.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o WTI recuava US$ 1,33 (queda de 2,15%), cotado a US$ 60,66, enquanto o Brent perdia US$ 1,30 (queda de 1,98%), a US$ 64,28. Na semana passada, ambos já haviam acumulado queda superior a 10%.
A decisão da Opep+ de acelerar o aumento da produção também pressiona os preços para baixo. No domingo, a gigante saudita Aramco anunciou corte no preço do petróleo tipo Arab Light, seu principal produto.
Trump, por sua vez, comemorou a queda nos preços. “Os preços do petróleo estão caindo, as taxas de juros estão caindo (o Fed, que se move lentamente, deveria cortar os juros!), os preços dos alimentos estão caindo, NÃO HÁ INFLAÇÃO, e os EUA, que foram abusados por muito tempo, estão arrecadando bilhões de dólares por semana dos países abusadores com as tarifas já em vigor”, escreveu em uma postagem na Truth Social.
Contudo, cresce a preocupação de que as tarifas, que devem entrar em vigor nesta semana, acabem gerando aumento de custos para as empresas e levando à desaceleração da atividade econômica — o que afetaria diretamente a demanda por petróleo.
O JPMorgan aumentou para 60% a probabilidade de recessão nos EUA em 2025 após o anúncio das tarifas, ante 40% anteriormente. Segundo o banco, as medidas podem levar a economia americana e global a uma retração ainda neste ano.
Já o Bank of America prevê que a guerra comercial cortará pela metade o crescimento da demanda global por petróleo em 2025, no mesmo momento em que a Opep+ amplia a produção. Isso pode resultar em um superávit de até 1,25 milhão de barris por dia, considerado “assustador” pela instituição.
“Se esse cenário realmente se concretizar, acreditamos que os preços do petróleo e os valores das ações atreladas ao setor ainda têm espaço para cair”, disseram analistas do Bank of America liderados por Kalei Akamine em relatório.
O Goldman Sachs reduziu sua previsão para o preço do petróleo em dezembro de 2025, projetando o WTI a US$ 58 e o Brent a US$ 62 por barril. Para 2026, a projeção é de preços ainda menores: US$ 55 e US$ 58, respectivamente.
A queda nos preços pode forçar produtores de xisto dos EUA a reduzir a produção. Segundo Jeff Currie, diretor de estratégia de energia do Carlyle Group, o valor atual já está abaixo do ponto de equilíbrio de muitas empresas. “Se cair abaixo de US$ 55, entraremos em território abaixo da viabilidade econômica do Permian”, afirmou à CNBC, referindo-se à principal região produtora dos EUA. Para ele, o preço pode chegar a menos de US$ 50.
“O potencial para que o mercado exagere na queda é significativo”, completou Currie, alertando para um excesso de oferta global.
Natasha Kaneva, chefe de pesquisa de commodities do JPMorgan, avaliou que os desdobramentos das tarifas ainda são imprevisíveis, pois os países podem tentar negociar reduções com Trump. No entanto, quanto ao petróleo, ela foi enfática: “A trajetória é claramente de queda”.