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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se reuniram nesta sexta-feira (11) em Kuala Lumpur, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). O encontro ocorre em meio a tensões renovadas entre Washington e Pequim, envolvendo disputas comerciais, militares e geopolíticas.
“Penso que foi uma reunião construtiva e positiva”, afirmou Rubio após o encontro. Ele também indicou que há um “forte desejo” de que ocorra uma reunião entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping.
Foi o primeiro encontro presencial entre Rubio e Wang desde o retorno de Trump à presidência dos EUA, em janeiro. A conversa bilateral aconteceu paralelamente ao fórum da ASEAN, que também contou com representantes da Austrália, Japão, Coreia do Sul, União Europeia e Rússia — em um contexto marcado por tarifas comerciais mais rígidas dos EUA, tensões no Mar do Sul da China, a questão de Taiwan e a guerra na Ucrânia.
Na véspera, Rubio já havia adiantado que o objetivo da reunião seria discutir, entre outros temas, o apoio da China à Rússia no conflito ucraniano. “Há uma preocupação real com o papel de Pequim em sustentar indiretamente o esforço militar russo”, declarou. Embora Pequim negue fornecer armamentos, Washington acusa o governo chinês de oferecer suporte econômico e tecnológico que fortalece a capacidade de guerra de Moscou.
Outro foco da reunião foi a política comercial norte-americana. Rubio defendeu a nova estratégia tarifária da gestão Trump, que prevê tarifas entre 20% e 50% para mais de 20 países — incluindo nações do Sudeste Asiático — caso não firmem acordos bilaterais com os EUA até 1º de agosto. “Cada país do mundo vai receber, em algum momento, uma carta”, disse o secretário a jornalistas em Kuala Lumpur.
As medidas impactam diretamente parceiros como Vietnã, Tailândia e Malásia. O primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, classificou os novos tributos como “instrumentos afiados de rivalidade geopolítica”.
Em resposta, Wang Yi defendeu a construção de uma ordem internacional “mais justa e razoável” e criticou o “protecionismo unilateral e a coerção tarifária” dos EUA. A China sustenta que as novas tarifas violam regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e distorcem o comércio global.
Desde janeiro, quando Trump reassumiu o cargo, as relações comerciais entre EUA e China voltaram a se acirrar. Washington chegou a aplicar tarifas de 145% sobre produtos chineses, ao passo que Pequim impôs taxas de 125% sobre mercadorias americanas. Em maio, as duas potências chegaram a um acordo provisório para redução das tarifas, que Trump chamou de “reinício total”.
Outro tema-chave na conversa foi a situação no Estreito de Taiwan. A China considera a ilha parte de seu território e tem aumentado a pressão militar na região, o que preocupa os Estados Unidos. Embora não mantenha relações diplomáticas formais com Taipé, Washington é o principal fornecedor de armamentos da ilha.
“O Exército Popular de Libertação se prepara diariamente para uma eventual invasão de Taiwan”, afirmou em maio o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. O Pentágono avalia que a China está “preparada” para usar força militar para alterar o equilíbrio de poder regional.
Pequim reagiu, acusando os EUA de “brincar com fogo” ao apoiar Taiwan e de usar a questão da ilha para “conter a China”.
Também esteve na pauta a disputa territorial no Mar do Sul da China. A região é reivindicada por Pequim, mas também por países da ASEAN como Filipinas, Vietnã e Malásia. Os EUA têm reiterado apoio ao direito internacional marítimo e intensificado patrulhas navais na área.
Rubio reiterou que os Estados Unidos “não pretendem abandonar o Indo-Pacífico” e que a presença norte-americana na região é “estratégica e permanente”. Segundo o Departamento de Estado, a principal missão da visita é reafirmar o compromisso dos EUA com o Sudeste Asiático, frente ao avanço da influência chinesa.
O encontro entre Rubio e Wang pode definir o tom das relações bilaterais nos próximos meses, em um cenário em que as duas maiores potências mundiais competem por influência regional e adotam posições cada vez mais opostas em múltiplos temas.
(Com informações de AFP e EFE)