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A inflação nos Estados Unidos subiu para o maior nível desde fevereiro, impulsionada pelas tarifas generalizadas impostas pelo presidente Donald Trump. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (15) pelo Departamento de Trabalho, o índice de preços ao consumidor aumentou 2,7% em junho, na comparação anual, contra 2,4% em maio. No comparativo mensal, os preços subiram 0,3% de maio para junho, após um avanço de 0,1% no mês anterior.
O aumento representa um novo desafio político para Trump, que havia prometido reduzir custos logo no início de seu mandato. A inflação elevada foi um dos temas centrais das críticas à gestão econômica do ex-presidente Joe Biden e continua sendo um ponto sensível para os eleitores.
Tarifas e impacto nos preços
Especialistas atribuem parte do avanço inflacionário às medidas tarifárias adotadas pela atual administração. Trump impôs tarifas de 10% sobre todas as importações, 50% sobre aço e alumínio, 30% sobre produtos chineses e 25% sobre automóveis estrangeiros. Na última semana, ele também ameaçou aplicar uma tarifa de 30% sobre produtos da União Europeia a partir de 1º de agosto.
O aumento de preços já foi notado por consumidores em diversos segmentos. O custo da gasolina subiu 1% de maio para junho, enquanto os alimentos aumentaram 0,35%. Os eletrodomésticos registraram o terceiro mês consecutivo de alta. Empresas como Walmart, Mitsubishi e Nike anunciaram ou indicaram que deverão ajustar seus preços para compensar os custos adicionais.
No entanto, algumas companhias conseguiram evitar reajustes imediatos, antecipando estoques ou esperando possíveis acordos comerciais internacionais que amenizem os impactos das tarifas.
Reações à política monetária
A elevação da inflação também reacende o debate sobre a política de juros. Trump tem pressionado publicamente o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, para que reduza a taxa de juros, atualmente em 4,3%. O ex-presidente afirma que “não há inflação” e que um corte nos juros facilitaria o acesso à moradia.
Powell, por sua vez, tem adotado uma postura cautelosa. O Fed sinaliza que deseja observar os efeitos das tarifas sobre a economia antes de decidir qualquer ajuste na taxa básica. A autoridade monetária reconhece que as tarifas podem, simultaneamente, pressionar os preços e desacelerar o crescimento — um cenário desafiador para as decisões de política monetária.
Na segunda-feira (14), Trump voltou a criticar Powell, dizendo que ele foi “terrível” e “não sabe o que está fazendo”. Além disso, membros da Casa Branca acusaram o presidente do Fed de má gestão devido a sobrecustos na reforma de dois prédios da instituição, cujos custos já superam US$ 2,5 bilhões — cerca de um terço acima do previsto.
Embora Trump não possa demitir Powell por discordância sobre juros, decisões da Suprema Corte indicam que seria possível uma substituição “por justa causa”, como má conduta ou gestão inadequada.
A inflação subjacente — que exclui alimentos e energia — também subiu, atingindo 2,9% em junho, contra 2,8% em maio. Essa métrica é considerada por muitos economistas como um indicativo mais preciso das tendências inflacionárias de longo prazo. De maio para junho, o avanço foi de 0,2%.
A elevação nos preços e as tensões políticas em torno das tarifas e dos juros devem continuar influenciando o debate econômico nos EUA nos próximos meses, especialmente em um contexto eleitoral cada vez mais polarizado.
Com informações da AP.