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O Senado dos Estados Unidos aprovou, na madrugada desta quinta-feira (17), um pacote de cortes no orçamento federal que soma aproximadamente US$ 9 bilhões, atendendo a um pedido formal do ex-presidente Donald Trump. A proposta, que atinge áreas sensíveis como ajuda externa e radiodifusão pública, ainda precisa ser ratificada novamente pela Câmara dos Representantes até a meia-noite de sexta-feira (18) para se tornar lei.
A medida já havia sido aprovada pela Câmara em uma votação apertada, por 214 votos a 212, mas precisará de uma nova votação após alterações feitas no Senado.
Cortes afetam radiodifusão pública e assistência internacional
Um dos alvos principais da proposta é a Corporation for Public Broadcasting (CPB), que perderia cerca de US$ 1,1 bilhão em financiamento para os dois próximos anos fiscais. A CPB financia mais de 1.500 estações públicas de rádio e TV, além de repassar recursos à NPR (Rádio Pública Nacional) e à PBS (Serviço Público de Radiodifusão).
Senadoras republicanas como Lisa Murkowski (Alasca) e Susan Collins (Maine) criticaram a medida, alertando para os riscos que os cortes representam, especialmente em áreas rurais e remotas. Murkowski destacou o papel vital das rádios públicas em emergências, como alertas de tsunami e terremotos — lembrando um tremor de magnitude 7,3 ocorrido na véspera da votação, no Alasca.
A diretora executiva da organização America’s Public Television Stations, Kate Riley, considerou a medida um “remendo” que deixará centenas de estações sem cobertura adequada, mesmo com a previsão de recursos do Departamento do Interior para emissoras nativas.
Redução drástica na ajuda humanitária
O pacote também prevê cortes de quase US$ 8 bilhões em programas de ajuda externa, incluindo:
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US$ 800 milhões para assistência emergencial a deslocados
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US$ 496 milhões destinados a alimentos, água e atendimento médico em zonas de crise
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US$ 4,15 bilhões para programas de desenvolvimento econômico e democrático em países em desenvolvimento
O senador democrata Brian Schatz (Havaí) foi duro nas críticas. “Pessoas estão morrendo agora — não apesar de nós, mas por nossa causa”, disse. Ele alertou ainda que a retirada de recursos enfraquece a influência global dos EUA e abre espaço para o avanço da China em regiões estratégicas.
Outro ponto sensível foi o corte de US$ 400 milhões no PEPFAR, programa de combate ao HIV/Aids criado durante o governo de George W. Bush e historicamente apoiado por ambos os partidos. A medida gerou desconforto até mesmo entre senadores republicanos, que temem prejuízos à saúde pública global.
Debate interno e críticas ao processo
Apesar de ter sido aprovada por maioria simples — sem necessidade dos tradicionais 60 votos —, a votação escancarou divisões dentro do próprio Partido Republicano. O líder da maioria, John Thune (Dakota do Sul), defendeu os cortes como um passo necessário para o controle dos gastos públicos. “É um pequeno, mas importante passo rumo à responsabilidade fiscal”, declarou.
Entretanto, senadores como Susan Collins expressaram preocupação com a falta de clareza do texto. “Ninguém sabe exatamente quais programas estão sendo cortados”, afirmou. Ela tentou apresentar uma emenda de última hora para proteger áreas como saúde global e mídia pública, mas não obteve apoio suficiente.
O senador Roger Wicker (Mississippi) alertou para os riscos de tornar o processo de cortes opaco e pouco debatido: “Não podemos normalizar esse tipo de prática”. Já Thom Tillis (Carolina do Norte) disse que será necessário negociar com os democratas para evitar um novo fechamento do governo até o fim de setembro.
(Com informações da The Associated Press)