Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A confiança da indústria brasileira caiu pelo segundo mês consecutivo em julho, puxada por um forte recuo nas expectativas para os próximos meses. O resultado reflete o aumento das incertezas provocadas pela iminente imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,0 pontos em relação a junho, atingindo 94,8 pontos — o menor patamar registrado em 2025 até o momento. A piora foi impulsionada principalmente pelo Índice de Expectativas (IE), que mede a percepção dos empresários sobre os próximos meses e recuou 4,0 pontos, chegando a 92,5 — o nível mais baixo desde 2021.
“A combinação entre a contração da política monetária e o aumento da incerteza, intensificada pelas novas taxações sobre produtos brasileiros, configura um cenário desafiador para o setor”, avaliou Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre.
A apreensão no setor ocorre às vésperas da possível entrada em vigor, nesta sexta-feira (1º), da tarifa de 50% imposta pelos EUA. O governo brasileiro tenta negociar com Washington para evitar a medida, que pode afetar diretamente a competitividade da indústria nacional.
Apesar do pessimismo com o futuro, o Índice de Situação Atual (ISA), que avalia a percepção dos empresários sobre o momento presente, teve leve alta de 0,3 ponto, subindo para 97,3. O avanço foi influenciado principalmente pela melhora no quesito “situação atual dos negócios”, que cresceu 1,5 ponto e chegou a 97,4.
A deterioração das expectativas foi generalizada: o subindicador de expectativas de emprego recuou 4,8 pontos, para 97,1 — o menor nível desde janeiro de 2024. Já a tendência dos negócios caiu 3,6 pontos, ficando em 88,1.
“A queda da confiança da indústria em julho sugere continuidade da trajetória descendente do setor. Apesar da moderada recuperação na percepção sobre a situação presente, as expectativas futuras reforçam o cenário de pessimismo entre os empresários”, afirmou Pacini.
O cenário econômico segue pressionado também pelas decisões internas. O Banco Central realiza nesta terça-feira (29) mais uma reunião de política monetária, com ampla expectativa de que a taxa básica de juros seja mantida em 15,00%, como já sinalizado anteriormente.