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Um homem armado que matou quatro pessoas em um prédio comercial de Manhattan antes de tirar a própria vida pretendia atacar a sede da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), mas acabou entrando no elevador errado. A informação foi confirmada nesta terça-feira (29) pelo prefeito de Nova York, Eric Adams.
De acordo com as autoridades, Shane Tamura, morador de Las Vegas, abriu fogo na noite de segunda-feira (28) no saguão do edifício localizado na Park Avenue, uma das avenidas mais famosas dos Estados Unidos. Após os disparos, ele se dirigiu aos elevadores com a intenção de alcançar os escritórios da NFL, mas errou o caminho e foi parar em outro andar do prédio. “A sede da NFL ficava no prédio e ele se equivocou de elevador”, afirmou o prefeito em entrevista à emissora WPIX-TV.
Entre as vítimas fatais está o policial nova-iorquino Didarul Islam, que estava fora de serviço e atuava como segurança privado no local. Segundo a comissária de polícia Jessica Tisch, Tamura portava um fuzil M4 e foi flagrado por câmeras de segurança deixando um carro BMW estacionado em fila dupla às 18h30, cruzando uma praça pública e entrando armado no prédio. No saguão, ele disparou contra o policial e outras vítimas antes de subir até o 33º andar, onde matou mais uma pessoa e, em seguida, cometeu suicídio.
A polícia informou que Tamura tinha histórico de transtornos mentais. Uma carta encontrada com ele indicava que ele culpava a NFL por sua condição médica. O texto mencionava a encefalopatia traumática crônica (ETC), doença degenerativa cerebral associada a traumas repetitivos na cabeça, comuns em esportes de contato como o futebol americano. A doença só pode ser diagnosticada post-mortem. Tamura jogou futebol americano durante o ensino médio na Califórnia, mas nunca chegou à liga profissional.
“Ele parecia culpar a NFL”, disse Adams.
O comissário da NFL, Roger Goodell, divulgou um memorando em que lamenta o ataque. “Estamos profundamente agradecidos aos agentes da lei que responderam rapidamente a essa ameaça, e ao oficial Islam, que deu sua vida para proteger os outros”, afirmou. Goodell também confirmou que um funcionário da liga ficou gravemente ferido e está hospitalizado em condição estável.
O edifício onde ocorreu o ataque abriga, além da NFL, empresas como Blackstone, KPMG e Rudin Management. A Blackstone confirmou que uma de suas executivas, Wesley LePatner, está entre os mortos. “Não há palavras para expressar a devastação que sentimos”, disse a empresa. “Wesley era brilhante, calorosa, generosa e muito respeitada.”
LePatner era formada por Yale e havia trabalhado por mais de uma década no Goldman Sachs antes de se juntar à Blackstone em 2014.
A tragédia reacende o debate sobre segurança em ambientes corporativos de alto escalão. O tiroteio ocorreu a poucos quarteirões do local onde, em dezembro passado, o CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, foi morto a tiros — também por um atirador motivado por rancor contra grandes empresas, segundo a promotoria.
O ex-presidente Donald Trump se pronunciou sobre o caso nas redes sociais: “Confio que nossas forças de segurança descobrirão por que esse lunático cometeu um ato tão sem sentido. Meu coração está com as famílias das quatro vítimas, incluindo o policial que fez o sacrifício máximo.”
Didarul Islam, de 36 anos, era imigrante de Bangladesh e servia na Polícia de Nova York há três anos e meio. Ele foi homenageado por colegas, que escoltaram seu corpo coberto pela bandeira da corporação. “Ele morreu como viveu: como um herói”, disse a comissária Tisch.
A polícia destacou que Tamura havia chegado a Nova York pouco antes do ataque, o que dificultou o rastreamento de suas intenções. Para o prefeito Adams, o episódio também expõe um problema nacional: “Lidamos com pessoas que vêm de estados com leis frouxas sobre armas e trazem armamentos de alto poder para cidades como Nova York, onde as leis são rigorosas.”
