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A Bolívia vai às urnas neste domingo (17) em um dos pleitos mais incertos das últimas décadas. Com alto índice de eleitores indecisos e um cenário de profunda crise econômica, o país enfrenta uma eleição marcada por divisões internas e pela inédita campanha que pede a anulação do voto.
As pesquisas apontam uma disputa acirrada entre os candidatos de oposição Samuel Doria Medina, da aliança Unidade, e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (2001-2002), do partido Libre. Ambos aparecem à frente nas intenções de voto, mas sem margem suficiente para vencer já no primeiro turno.
O candidato de esquerda com maior projeção, Andrónico Rodríguez, sofreu forte queda e caiu do terceiro para o quinto lugar, registrando apenas 5% das intenções de voto.
Além da disputa entre os candidatos, o processo eleitoral carrega um fator inédito: o voto nulo já soma 14,6%, segundo levantamentos recentes. O movimento é impulsionado pelo ex-presidente Evo Morales (2006-2019), impedido pela Justiça de concorrer novamente devido ao limite de dois mandatos.
Em ato de protesto, Morales convocou seus apoiadores a anular o voto. “Esta eleição está feita para que volte a direita e não o povo boliviano, uma democracia sem o povo, sem a Bolívia profunda, sem o movimento indígena, sem o movimento popular”, declarou.
Embora o voto nulo não entre no cômputo oficial, analistas avaliam que a campanha fortalece politicamente o setor ligado ao ex-presidente, que chegou a ameaçar boicotar o processo eleitoral.
Se confirmada a tendência das pesquisas, a Bolívia poderá ter pela primeira vez um segundo turno presidencial, previsto para 19 de outubro, colocando frente a frente dois candidatos de direita — cenário que marcaria o fim de quase 20 anos de governos liderados pela esquerda.
Durante esse período, o Movimento Ao Socialismo (MAS), de Evo Morales, comandou o país com exceção de um ano, governando com maiorias legislativas. Agora, especialistas afirmam que a única certeza é o fim da hegemonia e a necessidade de pactos entre diferentes bancadas para garantir a governabilidade em um momento que exigirá tanto ajustes econômicos quanto consensos políticos.