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O papa León XIV afirmou neste sábado que todos os povos do mundo, inclusive os menores e mais frágeis, devem ser respeitados e não podem ser obrigados ao “exílio forçado”. A declaração foi feita durante encontro no Vaticano com refugiados do Arquipélago de Chagos.
“Todos os povos, mesmo os mais pequenos e frágeis, devem ser respeitados pelos poderosos em sua identidade e em seus direitos, em particular o direito de viver em suas próprias terras; e ninguém pode obrigá-los a um exílio forçado”, declarou o pontífice.
A delegação recebida pelo papa é formada por refugiados do Chagos Refugees Group, associação que há cinquenta anos reivindica o retorno ao arquipélago, do qual foram expulsos pelo Reino Unido. Em maio de 2024, o governo britânico assinou um acordo histórico comprometendo-se a devolver o território à ex-colônia Maurício.
León XIV celebrou o tratado como “um passo significativo para o retorno ao lar” desses refugiados. “Rendo homenagem à determinação do povo chagosiano, e em particular das mulheres, na reivindicação pacífica de seus direitos. A renovada perspectiva de seu retorno ao arquipélago natal é uma sinal alentador e tem uma força simbólica no cenário internacional”, afirmou o pontífice.
O papa também agradeceu às partes envolvidas, destacando que “compreenderam o sofrimento de seu povo e chegaram a este acordo”.
“Fico contente que o diálogo e o respeito às decisões do direito internacional, como havia desejado meu predecessor em sua visita a Maurício, tenham finalmente remediado uma grave injustiça”, acrescentou, em referência ao papa Francisco.
León XIV ainda exortou autoridades de Maurício e a comunidade internacional a garantir que o retorno dos moradores de Chagos, após seis décadas, ocorra “nas melhores condições possíveis”. Para isso, prometeu o apoio da igreja local.
“Estes anos de exílio causaram muito sofrimento entre vocês. Conheceram pobreza, desprezo e exclusão. Que o Senhor, diante da perspectiva de um futuro melhor, cure suas feridas e conceda a graça do perdão a quem lhes fez mal. Convido-os a olhar resolutamente para o futuro”, concluiu.
Papa defende poder ético e dignidade em audiência com legisladores
Ainda neste sábado, León XIV recebeu legisladores católicos de todo o mundo no Vaticano e os incentivou a garantir um poder “controlado pela consciência” e leis que promovam a dignidade humana.
“Em sua vocação de legisladores e funcionários públicos católicos, vocês são chamados a construir pontes entre as cidades do homem e a cidade de Deus”, disse o papa na audiência realizada na Sala Clementina do Palácio Apostólico.
“Exorto-os a esforçar-se por um mundo em que o poder seja controlado pela consciência e a lei esteja a serviço da dignidade humana. Além disso, os incentivo a rejeitar a mentalidade perigosa de que nada pode mudar”, acrescentou.
León XIV refletiu sobre a prosperidade humana, destacando que não depende da riqueza, do consumo ou das “comodidades tecnológicas” oferecidas pelo mundo moderno. “Sabemos que tudo isso não é suficiente. Vemos em sociedades ricas muitas pessoas lutando contra a solidão, o desespero e a sensação de falta de sentido”, alertou.
Segundo o papa, a verdadeira prosperidade humana decorre do “desenvolvimento humano integral”, ou seja, do crescimento da pessoa em todas as dimensões: física, social, cultural, moral e espiritual.
“A verdadeira prosperidade se manifesta quando as pessoas vivem virtuosamente em comunidades saudáveis, apreciando não apenas o que possuem, mas também o que são como filhos de Deus”, afirmou.
Pontífice mantém diálogo com representantes da igreja em contexto internacional
No mesmo dia, León XIV se reuniu com Carlos Enrique Herrera, presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, desterrado após críticas ao regime de Daniel Ortega. O encontro foi confirmado pela Santa Sé, mas seu conteúdo não foi divulgado.
O pontífice ressaltou a importância de uma “diplomacia da esperança”, conceito de Francisco, e defendeu políticas e economia que promovam perspectivas de futuro diante dos desafios globais.
Durante seu pontificado, León XIV ainda não comentou publicamente a situação na Nicarágua, país que conhece e onde atuou como missionário no passado. Apesar das relações diplomáticas suspensas, o regime de Ortega felicitou o novo papa, desejando que ele contribua para a promoção da paz.
“Le saudamos desde nossa Nicarágua cristã, socialista, solidária, bendita e sempre digna e livre, por sua eleição como pontífice e suma autoridade da Igreja Católica do mundo”, escreveram os governantes nicaraguenses, acrescentando: “Desejamos que, desde sua elevada responsabilidade, possa contribuir para promover paz, encontro, concordia e os valores que a família humana tanto necessita”.
(Com informações da EFE)