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Mais de 500 funcionários do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH) da ONU enviaram uma carta ao Alto Comissário Volker Turk pedindo que a guerra na Faixa de Gaza seja explicitamente reconhecida como um genocídio em andamento. A informação foi confirmada pela Reuters, que teve acesso ao documento nesta quarta-feira (27).
Na carta, os funcionários afirmam que os critérios legais para genocídio foram atendidos no conflito de quase dois anos entre Israel e o Hamas, citando a escala, o alcance e a natureza das violações registradas. “O ACNUDH tem uma forte responsabilidade legal e moral de denunciar atos de genocídio”, diz o documento, acrescentando que a omissão poderia prejudicar a credibilidade da ONU e do sistema internacional de direitos humanos.
O texto também faz referência ao genocídio de 1994 em Ruanda, quando mais de 1 milhão de pessoas foram mortas, destacando o fracasso moral da comunidade internacional na época.
Não houve resposta imediata do governo de Israel. Autoridades israelenses já rejeitaram acusações de genocídio, defendendo que suas ações são parte do direito de autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.200 mortos e 251 reféns, segundo dados israelenses. Desde então, quase 63.000 pessoas morreram em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde local, enquanto organizações internacionais relatam que parte da população enfrenta fome.
Alguns grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, e especialistas independentes da ONU já se referiram ao conflito como genocídio, mas a própria ONU não fez essa classificação. No passado, autoridades do organismo afirmaram que cabe aos tribunais internacionais determinar se atos configuram genocídio. Em 2023, a África do Sul apresentou à Corte Internacional de Justiça um processo acusando Israel de genocídio em Gaza, mas o caso ainda não foi julgado.
Ravina Shamdasani, porta-voz do ACNUDH, afirmou que a situação em Gaza trouxe desafios significativos para o escritório na documentação dos fatos e na tomada de decisões. “Houve e continuará havendo discussões internas sobre como seguir em frente”, disse.
Volker Turk, que já condenou repetidamente ações de Israel em Gaza e alertou sobre o risco de crimes de atrocidade, disse que a carta levantou questões importantes. Em resposta aos funcionários, ele ressaltou a indignação moral compartilhada diante da situação e pediu unidade interna: “Sei que todos nós compartilhamos o sentimento de indignação moral com os horrores que estamos testemunhando, bem como a frustração diante da incapacidade da comunidade internacional de pôr fim a essa situação”, afirmou.