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O papa Leão XIV iniciou nesta quinta-feira (27) sua primeira viagem internacional desde o início do pontificado, destacando a importância da Turquia como um “fator de estabilidade” em um cenário mundial marcado por conflitos. O roteiro da viagem também inclui o Líbano, país em crise econômica e política desde 2019.
Recebido em Ancara pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o pontífice foi saudado com os hinos do Vaticano e da Turquia, além de salvas de canhão no palácio presidencial. “Senhor presidente, que a Turquia seja um fator de estabilidade e aproximação entre os povos, a serviço de uma paz justa e duradoura”, afirmou Leão XIV.
A Turquia tem papel estratégico na geopolítica do Oriente Médio e atua como mediadora nas negociações entre Ucrânia e Rússia, buscando encerrar a guerra iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022. O papa elogiou o país como “um elo entre Oriente e Ocidente, entre Ásia e Europa, e uma encruzilhada de culturas e religiões”, mas alertou que a homogeneização religiosa, com apenas 0,1% de cristãos entre 86 milhões de habitantes, “representaria um empobrecimento cultural”.
Erdogan destacou que a Turquia não permite discriminação e vê a diversidade cultural, religiosa e étnica como um fator de enriquecimento. “O país, onde 99% da população é muçulmana, incentiva o respeito a todas as confissões, inclusive às comunidades cristãs”, afirmou.
Durante o voo de Roma a Ancara, o papa declarou aos jornalistas que aguardava a viagem com entusiasmo: “Esperava este momento com muita expectativa pelo que significa para os cristãos, mas também é uma mensagem bonita para o mundo todo”.
À sua chegada, León XIV percorreu a capital cercada por forças de segurança até o mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da Turquia moderna e símbolo da República laica. Nos últimos anos, o caráter laico do país tem sido questionado pelo crescimento do nacionalismo religioso e pela politização de símbolos, como a Basílica de Santa Sofia, transformada em mesquita em 2020.
O Vaticano valoriza o papel da Turquia na acolhida de mais de 2,5 milhões de refugiados, principalmente sírios, e mantém diálogo com Ancara como estratégia para promover a paz na região.
Agenda religiosa marca visita a Iznik
Nesta sexta-feira (28), a viagem ganha caráter mais religioso com a visita à cidade de Iznik, antiga Niceia, onde será celebrado o 1.700º aniversário do primeiro concílio ecumênico, em 325, considerado fundacional para o cristianismo.
O papa participará de uma oração ecumênica à beira do lago Iznik junto ao patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, parceiro histórico do Vaticano nas relações com os ortodoxos. “Será uma ocasião excepcional para promover a unidade entre todos os cristãos”, afirmou León XIV.
O papa destacou que o mundo ortodoxo está mais fragmentado do que nunca, especialmente após a guerra na Ucrânia, que intensificou a ruptura entre os patriarcados de Moscou e Constantinopla.
León XIV se torna o quinto pontífice a visitar a Turquia, seguindo os passos de Paulo VI (1967), João Paulo II (1979), Bento XVI (2006) e Francisco (2014). A viagem seguirá ao Líbano, país que enfrenta bombardeios recentes de Israel, apesar do alto o fogo, além da grave crise econômica e política.