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A esposa de Nicmer Evans, cientista político venezuelano e diretor do veículo digital Punto de Corte, denunciou que agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) detiveram Evans em sua residência, em Caracas, após ele ter sido convocado sob o pretexto de uma entrevista.
De acordo com Martha Cambero, a detenção ocorreu por volta das 13h40, no horário local, na presença de familiares, sem que os agentes apresentassem qualquer documento legal que justificasse a ação. O relato foi feito em um vídeo divulgado nas redes sociais.
Na gravação, Cambero responsabilizou diretamente o ditador Nicolás Maduro e o ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, pela integridade física e pela vida de Evans, em razão de seu estado de saúde considerado delicado.
Segundo ela, Evans é hipertenso e passou por uma cirurgia há cerca de um ano para tratar problemas no sistema digestivo e nas vias biliares, o que exige acompanhamento médico rigoroso e contínuo.
A família afirmou estar preocupada com a falta de informações oficiais sobre o paradeiro e as condições em que Evans se encontra, alertando para o risco de complicações graves caso ele não receba o tratamento adequado.
“Às autoridades que hoje exercem o poder em nosso país, pedimos que cesse tamanha opressão apenas por pensar diferente. Queremos liberdade e respeito aos nossos direitos, sobretudo ao direito à vida”, declarou a esposa do cientista político.
Horas antes de ser levado pelos agentes do regime, Evans publicou um vídeo em sua residência informando sobre a chegada de uma comissão identificada como do Sebin e afirmou que compareceria voluntariamente à entrevista, conforme registrado em suas redes sociais e confirmado pelo Punto de Corte.
Evans também disse ter recebido alertas prévios sobre a convocação, embora tenha afirmado desconhecer os motivos e os detalhes do chamado. Nem ele nem seus familiares foram informados sobre as razões da ação policial.
A detenção e a falta de informações provocaram reações imediatas de jornalistas, colegas, familiares e organizações de direitos humanos. Entidades como o Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) divulgaram um apelo urgente para que as autoridades informem os motivos da detenção e o paradeiro de Evans.
Nicmer Evans, de 50 anos, já teve confrontos anteriores com órgãos de segurança. Em julho de 2020, foi preso pela Direção Geral de Contrainteligência Militar (Dgcim) e pelo Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Cicpc), acusado de instigação ao ódio.
Ele foi libertado em agosto do mesmo ano por meio de um indulto que beneficiou outros ativistas, jornalistas e ex-deputados da oposição. Desde então, Evans tem sido acompanhado por organizações de direitos humanos e jornalistas, que denunciam reiteradamente o assédio contra vozes críticas ao regime venezuelano.
(Com informações da EFE)