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A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) reconheceu neste domingo Delcy Rodríguez como responsável pela transição política na Venezuela, após Nicolás Maduro ter sido capturado por forças dos Estados Unidos para responder a acusações de narcoterrorismo.
O posicionamento foi anunciado pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que afirmou que a instituição militar apoia a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de nomear Delcy Rodríguez como chefe do Poder Executivo por um período de 90 dias.
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Padrino López declarou que a FANB acata a decisão do TSJ — alinhado ao chavismo — que atribuiu a Rodríguez as funções de “presidente interina” da Venezuela.
Segundo o ministro, a medida tem como objetivo garantir a continuidade do Estado.
“A pátria segue seu destino de desenvolvimento, prosperidade, estabilidade e ordem. E nós, soldados e soldadas da pátria, estaremos aqui para garantir isso”, afirmou, ao mesmo tempo em que pediu à população que retome suas atividades cotidianas nos próximos dias.
Padrino López acrescentou que o país deve permanecer em seu “trilho constitucional” e anunciou que, na segunda-feira, 5 de janeiro, será instalada a nova Assembleia Nacional, ato que classificou como constitucional e que, segundo ele, representa o centro democrático do debate político no país.
A declaração ocorre menos de 48 horas após os Estados Unidos confirmarem a captura de Maduro, durante uma operação especial que incluiu ataques seletivos em Caracas.
O ministro denunciou que a ação resultou na morte de integrantes da equipe de segurança presidencial e de militares, fatos que descreveu como execuções realizadas “a sangue frio”.
De acordo com Padrino López, as Forças Armadas venezuelanas utilizarão todas as suas capacidades para defender o país, manter a ordem interna e preservar a paz. Para isso, foi ativado todo o poder militar, policial e popular, integrando os elementos do poder nacional para enfrentar o que classificou como uma “agressão imperial”, formando “um único bloco de combate” para garantir a liberdade, a independência e a soberania nacional.
Durante o pronunciamento, o ministro esteve acompanhado do general Domingo Hernández Lares, comandante estratégico operacional, além de outros integrantes do alto comando militar. O grupo se apresentou como “unido e coeso” diante da crise e manifestou apoio a Nicolás Maduro e à primeira-dama Cilia Flores.
Padrino López reiterou que Maduro foi eleito em 2024 para o mandato de 2025 a 2032, por meio de eleições livres, diretas e secretas, classificando-o como o “verdadeiro e legítimo líder constitucional” da Venezuela.
O ministro exigiu a libertação imediata de Maduro e Cilia Flores e pediu que a comunidade internacional acompanhe atentamente os acontecimentos no país. Ele agradeceu a governos e povos que, segundo afirmou, demonstraram rejeição à intervenção na soberania venezuelana.
Por fim, alertou que a situação representa uma ameaça à ordem global e criticou o que chamou de “pretensão colonialista”, associada à Doutrina Monroe aplicada à América Latina e ao Caribe. Ao encerrar o discurso, Padrino López citou uma carta de Simón Bolívar a Rafael Urdaneta, escrita em 1826, destacando que “a pátria é a palavra sagrada e a palavra mágica de todos os cidadãos virtuosos”.