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O preço do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril neste domingo (8), nível que não era registrado desde 2022. A alta foi impulsionada pela escalada da guerra no Oriente Médio e pela redução da produção em países da região, além das dificuldades de transporte no estratégico Estreito de Ormuz.
Na abertura do mercado em Chicago, o barril do West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, subia 13,8%, chegando a US$ 103,5 para contratos de entrega em abril. Já o Brent, usado como parâmetro internacional, avançava até 15%, superando os US$ 107 por barril, segundo dados da consultoria Trading Economics.
A valorização ocorre após importantes produtores do Oriente Médio reduzirem a produção diante das tensões com o Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 25% do comércio mundial de petróleo e aproximadamente 20% do gás natural liquefeito (GNL).
O Kuwait, quinto maior produtor da OPEP, anunciou cortes preventivos na produção e na capacidade de refino devido às ameaças iranianas ao transporte marítimo. Já no Iraque, a produção dos três principais campos petrolíferos do sul caiu cerca de 70%, passando de 4,3 milhões para 1,3 milhão de barris por dia desde o início do conflito. Os Emirados Árabes Unidos também informaram que estão ajustando cuidadosamente a produção offshore para administrar estoques.
Em reação à disparada dos preços, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o aumento representa “um preço muito pequeno a pagar” diante do objetivo de eliminar a ameaça nuclear iraniana. Segundo ele, os preços devem cair quando a situação estiver sob controle.
A alta do petróleo também começa a impactar outros mercados globais. De acordo com análise da Bolsa de Comércio de Rosario, o bloqueio do Estreito de Ormuz tem afetado a logística internacional e pressionado o custo de fertilizantes, fundamentais para a produção agrícola. O gás natural, insumo essencial para fabricar fertilizantes como a ureia, representa cerca de 80% do custo de produção desses produtos.
O cenário já provoca mudanças no mercado de commodities. Na Bolsa de Chicago, fundos de investimento migraram rapidamente para ativos ligados a matérias-primas. Em cerca de 30 dias, investidores adicionaram 540 mil contratos de commodities agrícolas às carteiras, revertendo uma posição anterior de forte aposta na queda dos preços.
Entre os produtos mais afetados está o trigo, que chegou a US$ 218 por tonelada, enquanto o complexo da soja também registrou forte valorização com a entrada de capital especulativo no mercado.
