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Um bilhete escrito à mão no livro de ocorrências do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), embasa a investigação da Polícia Federal sobre a liberação de malas sem fiscalização no desembarque de um voo que trouxe o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros dois deputados. O documento foi publicado inicalmente pela TV Globo, nesta quarta-feira (29)
O caso aconteceu em 20 de abril de 2025, mas veio à tona agora. O voo PP-OIG partiu da ilha caribenha de São Martinho, classificada pela Receita Federal como paraíso fiscal desde 2016. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, que foi alvo da CPI das Bets no Senado.
O que diz o bilhete
Segundo o relato manuscrito de um agente de proteção da aviação civil (APAC), o auditor fiscal Marco Antônio Canella “liberou todas as malas e bolsas de mão com todos os eletrônicos, garrafas dentro das malas” e autorizou o piloto a passar com bagagens fora do raio-X e do pórtico detector de metais.
Quem estava no voo
A lista oficial de passageiros, obtida pela Polícia Federal, confirma a presença de:
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Hugo Motta (presidente da Câmara)
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Ciro Nogueira (senador)
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Doutor Luizinho (deputado)
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Isnaldo Bulhões (deputado)
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Fernando Oliveira Lima (empresário, dono do avião)
O que a PF investiga
A Polícia Federal apura os crimes de prevaricação (quando o servidor público age com atraso ou deixa de agir por interesse pessoal) e facilitação de contrabando ou descaminho.
O inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2026, após a identificação de parlamentares com foro privilegiado entre os passageiros. O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a investigação.
O que dizem os envolvidos
Hugo Motta:
“Ao desembarcar no aeroporto, cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira. Aguardará a manifestação da PGR.”
Ciro Nogueira:
Procurado, o senador não se manifestou.
Doutor Luizinho:
Disse que não vai se manifestar.
Piloto José Jorge de Oliveira Júnior:
Afirmou que não se recorda do dia do ocorrido, mas disse que segue procedimentos padrão. Segundo ele, “cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual” e “cada piloto transporta apenas seus próprios itens”.
Auditor fiscal Marco Antônio Canella:
Foi procurado, mas não se manifestou até a última atualização.
A pergunta que a PF quer responder
A investigação busca esclarecer se a liberação das bagagens sem fiscalização foi um episódio isolado ou se indica um possível padrão de conduta irregular por parte do auditor responsável.