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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para cassar os direitos políticos de Jair Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (30). A notícia de que o ex-presidente ficará inelegível por oito anos não foi uma surpresa para a maioria de seus apoiadores. Tampouco foi estopim para protestos. Apesar da razão absurda de sua condenação, não houve convocação, nem movimentação popular contra a decisão do tribunal. Foi sob o silêncio sepulcral das ruas, que a ministra do TSE, Carmén Lúcia, leu o voto que decidiria o futuro político de Bolsonaro, chegando ao placar irreversível de 4×1 contra o político.
Foi com o mesmo clima de quietude e “paz”, que a maior organização comunista da América Latina se reuniu aqui no Brasil, na última quinta-feira (29), com a presença vip de um de seus fundadores — que por acaso é o presidente da República — para traçar os planos estratégicos da extrema-esquerda mundial.
O Foro de São Paulo, fundado por Lula (PT) e o ditador Fidel Castro (Partido Comunista Cubano), em 1990, reuniu-se em Brasília para o seu 26º encontro. Foi aqui, em solo brasileiro, que grupo realizou o seminário “A integração latino-americana e caribenha e os desafios dos governos de esquerda e progressistas”. O encontro de ditadores e líderes de extrema-esquerda da América Latina e Caribe acontece em um momento crítico de perseguições e censura semelhantes ao ocorrido na vizinha Venezuela. Trazer o Foro para o Brasil, principalmente na atual conjuntura, soa como uma celebração ao silenciamento da oposição, um brinde ao fim da liberdade, uma ode à repressão e um recado debochado de que quem manda neste país definitivamente não é o povo.
Na abertura do evento, inclusive, Lula fez questão de dizer que se orgulha em ser chamado de comunista.
“Nós ficaríamos ofendidos se nos chamassem de nazistas, neofascistas, de terroristas. Mas, de comunistas, de socialistas, nunca. Isso não nos ofende. Isso nos orgulha muitas vezes”, disse Lula.
Por anos, a mídia brasileira ridicularizou os denunciantes do Foro de São Paulo. O filósofo Olavo de Carvalho, um dos primeiros a falar sobre a organização comunista — autor do livro “O Foro de São Paulo: A ascensão do comunismo latino-americano” — apareceu diversas vezes nas páginas dos jornais brasileiros como “louco”, “radical” e “conspiracionista”. Contudo, quando foi confirmado que neste ano a convenção de extremistas aconteceria em plena Brasília — e o elefante branco sentou bem no meio da nossa sala — não restou alternativa para os jornalistas a não ser reconhecer que o negócio realmente existe.

Fundadores do Foro de São Paulo: Lula e o ditador Fidel Castro.
Reprodução: Jovem Pan
“Existe, mas não é tão ruim assim”. Na tentativa de minimizar o impacto negativo de uma reunião de ditadores em solo brasileiro, algumas redações assumiram rapidamente o papel de advogados dos diabos — socialistas — e saíram em defesa da turma de Lula. Novamente, Olavo foi rotulado de radical e acusado de “espalhar desinformação”. Os mesmos jornalistas que descrevem o sanguinário Nicolás Maduro como “presidente” e Xi Jinping como “líder chinês”, jogaram purpurina nas fezes e reduziram o Foro de São Paulo a uma inocente “organização de lideranças apartidárias e movimento sociais esquerdistas”.
Foi a mesma imprensa que se fingiu de boba quando, no início do ano, o ditador da Venezuela afirmou em discurso à Assembleia Nacional (órgão legislativo controlado pelo regime) que conversou com Lula e outros líderes latino-americanos sobre formar um bloco político aliado à Rússia e à China comunista. O bloco sugerido envolveria justamente países da América Latina e do Caribe. Uma espécie de retomada do sonho soviético.
“Eu estava conversando sobre isso com o Lula no telefone outro dia, pessoalmente com o presidente Gustavo Petro, estava conversando sobre isso com o presidente da Argentina, Alberto Fernández. Uma nova hora está chegando, uma hora especial para unir esforços e caminhos da América Latina e do Caribe para avançar na formação de um poderoso bloco de forças políticas, de poder econômico que fala ao mundo”, disse Maduro. (Veja o vídeo).
Pátria Grande: Ditador Nicolás Maduro diz que falou com Lula sobre criação de bloco [comunista] na América Latina e Caribe para a construção da humanidade como uma "comunidade e destino compartilhado". O venezuelano citou o ditador chinês Xi Jinping e Vladmir Putin como irmãos. pic.twitter.com/3DnoLPkemF
— Fernanda Salles (@reportersalles) January 13, 2023
Apesar de Maduro ter sido claro sobre os planos maquiavélicos da panelinha comunista, não apareceu um único jornalista da dita grande mídia para alardear risco à soberania nacional ou atentado à democracia. Esses termos ficaram reservados para as senhorinhas aposentadas que acamparam em frentes aos quartéis no final do ano passado.
Ditadura da Venezuela também torna líder da oposição inelegível

María Corina Machado foi declarada inelegível pelo regime venezuelano. Reprodução: Redes Sociais
O principal nome da oposição ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela, María Corina Machado, foi declarada inabilitada para exercer a cargos públicos por 15 anos, conforme decisão da Controladoria-Geral, publicada nesta sexta-feira (30). Corina, que há anos faz forte oposição ao comunismo no país, aparece com mais de 50% das intenções de “votos”. Em 2014, quando era deputada, Corina foi uma das principais articuladoras das manifestações contra a ditadura de Maduro, sendo punida um mês depois com a cassação de seu mandato pela Assembleia Nacional da Venezuela, formada por apoiadores do regime ditatorial e comandada na época pelo chavista Diosdado Cabello, braço-direito de Maduro.